Por que etiquetas inteligentes RFID estão revolucionando a gestão de estoques?

por Samuel Gonsales Quinta-feira, 23 de março de 2017   Tempo de leitura: 15 minutos

A tecnologia de RFID – Radio frequency identification, ou, em português Identificação por radiofrequência – trata de técnicas que utilizam a frequência de rádio para captura de dados. Apesar de ser uma ferramenta criada há muitas décadas, ela foi incorporada às camadas da cadeia produtiva, de suprimentos e sistemas de identificação recentemente – camadas essenciais na Omniera.

O método de identificação mais comum é armazenar um número de série que identifique um produto ou uma informação em um microchip. A partir daí, os controles desse produto são muito eficazes, pois ele ganha um identificador único, que pode ser alcançado por radiofrequência com exatidão.

A história do RFID

Sir Robert Alexander Watson-Watt, um físico escocês, descobriu em 1935 a função dos radares que foram utilizados durante a segunda Guerra Mundial por alemães, americanos, ingleses e japoneses para avisá-los com antecedência a respeito de aviões enquanto eles ainda estavam distantes. Nessa época, o problema era identificar dentre esses aviões qual era do inimigo e qual era do aliado. Com base nisso, os alemães perceberam que se os seus pilotos girassem suas aeronaves quando estivessem retornando à base iriam modificar o sinal de rádio que seria refletido de volta ao radar. Essa descoberta tornou possível alertar os técnicos responsáveis pelo radar de que se tratava de uma aeronave alemã.

História do RFID – parte 1

Sir Robert Alexander Watson-Watt, juntamente com sua equipe, desenvolveu um projeto secreto para os ingleses que deu origem ao primeiro identificador de aeronaves denominado de IFF – Identify Friend or Foe (em português, Identificador de amigo ou inimigo). Foi, então, inserido um transmissor em cada aeronave inglesa para detectar os sinais por meio das estações de radar em solo, recebendo um sinal de resposta que identificava a aeronave amiga.

A criação da tecnologia RFID tem suas origens nessa descoberta, pois um RFID funciona com o mesmo princípio, no qual um sinal é enviado a um transponder que reflete as ondas e as transmite com um sinal próprio. Nas décadas de 1950 e 1960, cientistas americanos, europeus e japoneses provaram que a radiofrequência poderia ser utilizada para identificar produtos e objetos remotamente. Foi através dessas pesquisas que surgiram as etiquetas de vigilância eletrônica que indicavam, por exemplo, quando uma mercadoria estava saindo de uma loja sem a remoção da tag do produto, ativando um alarme sonoro para evitar furtos.

Já na década de 1980, o MIT – Massachusetts Institute of Technology iniciou o estudo de uma arquitetura que utilizasse os recursos das tecnologias baseadas em radiofrequência para servir como modelo de referência ao desenvolvimento de novas aplicações de rastreamento e localização de produtos.

Esse estudo deu origem ao EPC (Electronic Product Code, ou Código Eletrônico de Produtos). O EPC definiu uma arquitetura padrão para a identificação de produtos que utilizava recursos proporcionados pelos sinais de radiofrequência. Diferentemente do feixe de luz utilizado no sistema de código de barras, o RFID usa frequência de rádio para capturar informações, Assim, o estudo mostrou que sua assertividade era proporcionalmente maior.

O EPC provou que era possível agilizar os processos e aumentar a visibilidade dos produtos por meio da disponibilização de informações, criando o conceito de rastreamento total de produtos – não somente de um processo ou de uma empresa, mas de cada produto individual em toda a cadeia de suprimentos. Surgiu então a EPCglobal, uma organização sem fins lucrativos para administrar e fomentar o desenvolvimento da tecnologia RFID.

A EPCglobal passou a encabeçar inúmeras iniciativas a fim de padronizar o RFID para aplicações em gerenciamento da cadeia de suprimentos, como, por exemplo, das interfaces entre os diversos componentes de forma a criar padrões para o protocolo de comunicações entre a etiqueta e a leitora, entre a leitora e os computadores e entre computadores na internet.

Tipos de RFID

A tecnologia RFID, então, permite a captura de dados para identificação de produto utilizando etiquetas eletrônicas, tags, RF tags ou transpondes, dispositivos que emitem sinais de radiofrequência para leitores que captam esses sinais e identificam o número único de identificação de tal produto.

Embora alguns afirmem que a principal função do RFID seja a substituição dos códigos de barras, o RFID não se limita a isso, pois é uma tecnologia de transformação que ajuda a reduzir desperdício, limitar furtos e roubos, gerenciar inventários, simplificar o modelo logístico e aumentar a produtividade e a eficiência das operações.

Existem dois tipos de etiquetas RFID:

Etiqueta Passiva

As etiquetas passivas utilizam a radiofrequência do leitor para transmitir o seu sinal e normalmente têm suas informações gravadas permanentemente quando são fabricadas.

Etiqueta Ativa

As etiquetas ativas são mais sofisticadas e caras e contam com uma bateria própria para transmitir um sinal sobre uma distância razoável, além de permitir armazenamento em memória RAM capaz de guardar até 32 KB.

As principais aplicações do RFID

O RFID se aplica aos mais diversos canais de negócio da empresa.

Dentre as principais aplicações do RFID, destaco o controle de estoques, por exemplo, em supermercados e lojas seria útil controlar estoques com etiquetas RFID presentes em todos os produtos para ter domínio completo e preciso de tudo que está em estoque, evitando erros e dispensando a necessidade de fazer balanços mensais demorados e manuais.

O RFID aos poucos está substituindo a utilização de códigos de barras, uma vez que para pagar as compras em um supermercado, por exemplo, só seria preciso passar com o carrinho cheio por perto de um receptor, na saída do supermercado. Uma antena seria capaz de identificar tudo o que um consumidor está levando e geraria o cupom fiscal ou a Nota Fiscal do Consumidor (NFC-e) a partir dessa informação.

RFID em lojas

Para as redes de lojas físicas é possível utilizar RFID para:

Facilitar os trâmites de recebimento das mercadorias.

Em geral, uma loja pode demorar um dia para disponibilizar os produtos que tenha recebido da Matriz ou do Centro de distribuição por ter que conferir os itens e dar entrada no estoque. Com o uso do RDIF, as mercadorias são checadas em minutos, facilitando e oferecendo velocidade para as mercadorias serem vendidas no mesmo dia.

Facilitar as vendas.

Quando uma loja realiza vendas, especialmente no atacado ou grandes lojas de varejo, costuma ter filas para que as mercadorias sejam corretamente conferidas, para que seja feita a saída do estoque e ocorra o fechamento da venda. Com RFID, a tendência é a diminuição significativa das filas e do tempo de fechamento das vendas, agilizando os processos de venda.

Facilitar os processos de inventário.

As redes de lojas têm um desafio gigante para manter os estoques corretos e para isso há a necessidade de realizar inventários rotativos – parciais. O problema é ter confiança nas contagens, ter a certeza de que as contagens foram feitas de forma correta. Esse processo costuma ser crítico e demorado. Com o advento do RFID, no entanto, é possível contar as mercadorias rapidamente e com nível de acerto muito maior.

Veja um vídeo de exemplo:

Para uma operação de e-commerce, o RFID dá agilidade aos fluxos de entrada das mercadorias, separação, conferência, faturamento, embalagem, despacho das mercadorias e inventários, garantindo, adicionalmente, muita precisão dessas operações de estoques.

Importante citar que o RFID se aplica a empresas de todos os tamanhos e tem modelos para os mais diversos tipos de produtos e segmentos. Além disso o RFID contribui para aumentar a eficiência operacional e consequentemente a margem de lucro do negócio.

As vantagens do RFID

As principais vantagens da utilização das etiquetas RFID em cenários logísticos e na gestão de estoques são:

– Capacidade de armazenamento, leitura e envio dos dados – as etiquetas RFID permitem a gravação de informações nas mesmas;

– Detecção sem necessidade da proximidade da leitora para o reconhecimento dos dados – as etiquetas RFID podem ser lidas a distância;

– Durabilidade das etiquetas com possibilidade de reutilização;

– Redução de erros comuns nos estoques;

– Contagem instantânea de estoque, facilitando os sistemas empresariais de inventário;

– Precisão nas informações de armazenamento e velocidade na expedição – tanto a armazenagem como os processos de picking e packing são agilizados;

– Localização dos itens ainda em processos de busca – separação;

– Melhoria no reabastecimento com eliminação de itens faltantes e aqueles com validade vencida;

– Prevenção de roubos e falsificação de mercadorias;

– Otimização do processo de gestão, permitindo às companhias operarem com muito mais agilidade e garantindo capacidade operacional menor, pois os processos são mais assertivos;

– O custo elevado da tecnologia RFID (por trás da estrutura estão antenas, leitoras, ferramentas de filtragem das informações e sistemas de comunicação) em relação aos sistemas de código de barras inviabilizava sua utilização, no entanto atualmente há empresas alugando os equipamentos de RFID para viabilizar a utilização dos mesmos;

– O alcance das antenas depende da tecnologia e frequência usadas, podendo variar de poucos centímetros a alguns metros (cerca de 30 metros), dependendo da existência ou não de barreiras.

Conclusão

Em face a todas as vantagens e aplicações apresentadas acima, fica evidente que a utilização da tecnologia RFID é, sem sombra de dúvidas, fundamental para as empresas que operam com produtos os mais diversos. No entanto, são poucos os sistemas ERP tradicionais ou legados que se utilizam dessa tecnologia para agilizar os processos logísticos e diminuir erros e rupturas de estoques.

Os sistemas ERP idealizados para a Omniera trazem consigo, nativamente, a gestão e leitura das etiquetas inteligentes RFID, facilitando a gestão de estoques.

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