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Entrevista com Marc Gasperino, sócio-diretor da CTPartners em NY, sobre perspectivas no mercado digital

por Redação E-Commerce Brasil Quarta-feira, 04 de dezembro de 2013

MGasperino2 (4)Marc é sócio-diretor da CTPartners em Nova York, responsável globalmente pelas práticas de TI, Mídia, Telecom, E-commerce e Digital.

Fundada em 1980, a CTPartners é uma empresa global de seleção de executivos, com cerca de 30 escritórios pelo mundo, entre América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico, Oriente Médio e América Latina. No Brasil, a consultoria está presente desde 2008, atuando na busca de executivos da alta administração para organizações de ponta, nacionais e multinacionais.

Em entrevista para o E-Commerce Brasil, Marc responde perguntas sobre o mercado digital, perspectivas para o setor e tendências para o E-Commerce no Brasil e no mundo, confira:

Como os avanços tecnológicos e as possibilidades digitais estão afetando a dinâmica dos diversos segmentos e quais os mais afetados?
Todas as indústrias estão sendo afetadas pela transformação digital. Estamos vendendo comida, arte, vestuário e uma série de produtos via online, e as empresas precisam atentar à forma como as pessoas estão utilizando a tecnologia no dia a dia, avaliando oportunidades. A convergência entre tecnologia e serviços cria novos desafios e a necessidade de aprimorar o contato com o consumidor nos diversos devices que hoje integram a vida cotidiana, a exemplo dos tablets e dos celulares.

É preciso conhecer melhor esse consumidor?
Sem dúvida. Mais do que nunca, a análise de dados é crítica, especialmente diante das possibilidades do cloud computing. Vale lembrar que a tecnologia em si não passa de commodity. O que se faz com ela – e a partir dela – pode, sim, fazer toda a diferença, revertendo em melhores resultados e lucro.

E quais têm sido os resultados para as empresas que seguem esse caminho?
As companhias que têm encontrado sucesso a partir do uso estratégico da tecnologia estão conseguindo reduzir custos, otimizar o supply chain, aumentar a velocidade do desenvolvimento de produtos e expandir a afinidade/lealdade do consumidor, ampliando assim as vendas e o lucro. Varejistas e bancos de varejo têm estado na vanguarda dessa tendência, mas há outras indústrias avançando, a exemplo de setores tecnológicos ligados ao B2B.

Quais as tendências para o e-commerce?
O uso de celulares e tablets vai continuar crescendo, e as projeções atuais indicam que nos próximos anos a procura por produtos e serviços por meio desses devices deve exceder o número de pesquisas realizadas em desktops. Os consumidores esperam contar nos seus dispositivos móveis com o mesmo nível de experiência e simplicidade de uso dos desktops, dentro de iguais padrões de velocidade e segurança. Querem também facilidades em termos de visualização dos produtos, formas de pagamento e sistemas de comparação de preços de múltiplos varejistas.

O que esperar das transações multicanais?
Qualquer que seja o dispositivo, o consumidor anseia por uma experiência de compra simples e fácil. As empresas mais progressistas estão centrando esforços para tirar o máximo proveito do Big Data e utilizar ferramentas capazes de aprimorar a experiência do usuário, com precisão e confiabilidade.O uso da biometria vai ganhando espaço, dando mais segurança àqueles que se preocupam com os níveis de confiança das transações online.

E como tem evoluído a dinâmica das compras online?
O online tem buscado se aproximar do que o off-line oferece. Os consumidores de fato gostam da compra feita pessoalmente, da experiência concreta de adquirir um produto ou serviço na vida real. Muitos varejistas oferecem e encorajam os usuários a utilizar serviços de chat e entrar em contato com uma pessoa real, apta a dar orientação e informações especializadas.

Quais as perspectivas de crescimento do e-commerce no Brasil e no mundo?
Uma das regiões que tem registrado desenvolvimento contínuo em termos de e-commerce é a América Latina, com o Brasil liderando o processo. A expressiva evolução da indústria de varejo online torna o país uma localização-chave no que se refere à expansão futura, fazendo com que permaneça na mira de monitoramento de muitos profissionais interessados no crescimento exponencial dos negócios online no mercado brasileiro. De acordo com o eMarketer, só em 2012 o país movimentou US$ 11,8 milhões em e-commerce, havendo previsões de que essa cifra alcance a marca de US$ 18 bilhões até o final de 2017.

Que fatores estimulam esse crescimento?
Há muitas questões envolvidas. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, por exemplo, vão demandar a expansão da infraestrutura aeroviária e terrestre para suportar o fluxo de turistas. Esses eventos irão trazer efeitos positivos para o e-commerce, uma vez que a logística de transporte de mercadorias será simplificado e acelerada, graças às melhorias de infraestrutura.

E que outros aspectos favorecem o e-commerce no Brasil?
Os brasileiros são mais conectados do que a maioria dos demais povos, dedicando um tempo significativo ao ambiente virtual. Nesse quesito, o país supera não apenas outros emergentes onde o e-commerce está em expansão – Rússia, China e Índia – como suplanta a média global em mais de 10 horas/mês. Os homens do país gastam perto de 40 horas mensais online, e essa marca sequer inclui o tempo utilizado com celulares e tablets. No momento de buscar produtos e pesquisar marcas, a preferência brasileira recai nos mecanismos online, enquanto outros latino-americanos, como mexicanos e argentinos, ainda dão maior importância ao meio televisivo.

Que possibilidades se abrem diante dessa preferência dos brasileiros?
Em termos de publicidade digital, os investimentos devem dobrar no Brasil até 2016. As redes varejistas com forte atuação no online continuarão a migrar suas verbas da televisão e de outras mídias convencionais para o meio digital. Já o atendimento ao consumidor, ainda fortemente calcado no contato telefônico, deve ampliar espaço em outras modalidades, como e-mail, chat e mídias sociais, especialmente para consumidores abaixo dos 40 anos de idade.

Como avaliar o futuro do e-commerce no Brasil?
O e-commerce continuará a se desenvolver fortemente no Brasil, que se firma como liderança-chave para o progresso dessa modalidade de compra na América Latina. Olhando para o futuro, é possível prever que tanto a indústria do comércio eletrônico quanto o próprio país seguirão crescendo. Será interessante verificar como os upgrades em infraestrutura, previstos e necessários para os grandes eventos esportivos sediados no Brasil, irão ter impacto nas transações online em todo o território nacional. A janela evolutiva está, sem dúvida, mais aberta e propícia do que nunca.

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