Acesso rápido

Encerrar o e-commerce e focar no varejo físico é uma boa decisão?

por Eduardo Abreu Quinta-feira, 23 de maio de 2019   Tempo de leitura: 7 minutos

Recentemente, dois grandes varejistas decidiram abandonar suas operações online no Brasil e focar em suas lojas de varejo físico. Por que isso aconteceu? Um deles é um dos grandes líderes do segmento no mercado americano, porém, a companhia patinou muito no Brasil tentando encontrar lucratividade por aqui, tanto em suas lojas físicas como online. O e-commerce ainda sofre um pouco mais, pois apesar de estar em crescimento no país, o segmento representa cerca de 5% das vendas, enquanto o varejo físico domina ainda o mercado com 95%.

O Walmart foi uma das redes que anunciou o encerramento do seu e-commerce no Brasil

Essas empresas estão fazendo um movimento contrário a um dos maiores e-commerces do mundo, a Amazon. A empresa nasceu no online e hoje busca entrar de maneira cada vez mais relevante no varejo físico, pois entende tamanha fatia que esse mercado representa, mesmo sendo líder em operações online. A Amazon enxerga a lucratividade que o mundo físico representa, por isso, comprou a rede alimentícia Whole Foods e está abrindo lojas Amazon para retirada de produtos e venda apenas dos itens mais buscados em seu site.

A decisão desses dois varejistas pode parecer estranha, uma vez que há outros varejistas querendo entrar no online, mas é uma saída para esses dois players. Agora as empresas podem focar todos seus esforços em suas operações em que há maiores chances de lucratividade.

Porém, será que esse movimento vai perdurar por muito tempo? Há possibilidade de mais varejistas adotarem a mesma estratégia? Ambas as empresas declararam que voltarão ao mercado online em breve. As duas sabem a representatividade que é ter um e-commerce, mas mesmo assim optaram pelo caminho. Uma pergunta, porém, vale a pena ser levantada: como trabalhar com a perda dos consumidores que preferem a plataforma online?

Não abandone o digital

Mesmo deixando o e-commerce, elas não podem deixar de investir no digital. As empresas precisam se valer de estratégias conectadas para continuar impactando os seus consumidores do online e levando-os para o mundo físico. Além de usar suas bases de dados para continuar atingindo esses mesmos clientes.

Oferecer promoções especializadas que os façam ir para as lojas físicas é uma saída para não perdê-los para os concorrentes. Utilizar de inteligência de localização para atrair mais consumidores para o físico é outra das soluções.

Os dados de localização conseguem prover informações sobre aspectos importantes como: onde estão os consumidores de determinada loja, quais lugares ele frequenta, quais outros tipos de loja ele visitada, restaurantes e bares, para assim traçar um perfil deste cliente no mundo offline e enviar mensagens contextualizadas via smartphone para assim atingi-los e influenciar a visita às lojas físicas no momento exato.

Reconhecer a importância do mobile é um movimento inteligente em direção à inovação. Os varejistas estão percebendo isso — 49% disseram que a experiência móvel era uma das principais prioridades de engajamento do cliente, de acordo com um relatório de 2019 da BPR Consulting.

Além do mais, hoje em dia, os varejistas estão vendo o e-commerce como uma extensão da loja. Quando o e-commerce surgiu as empresas agiam de forma separada. Depois de muito bater cabeça, atualmente, trabalham para unificar as duas operações.

Multicanalidade

Os consumidores esperam pela multicanalidade, pesquisar no online e ter acesso ao produto imediato no físico — não importa para o consumidor onde é faturada a mercadoria, pois para ele a marca é uma só. Por outro lado, isso é bom para os varejistas, pois uma vez que o cliente esteja dentro da loja há a possibilidade de impactá-lo novamente tanto no mobile quanto no físico, enviando notificações ou publicidade direcionada assim que ele entrar na loja. Outra vantagem do multicanal é a redução dos custos com frete e prejuízos a imagem da marca devido a outros setores como de transportadoras que ainda é precário no Brasil.

Uma rede francesa de supermercados realizou um movimento parecido em 2012 quando enfrentava uma crise no país. A a rede decidiu fechar seu e-commerce e, após alguns anos, voltou a investir na plataforma. Porém, mais que isso, o varejista francês se reergueu no Brasil investindo em lojas físicas com o modelo de vizinhança ou express e também focando em sua bandeira de atacado. Ou seja, o varejo físico foi o grande responsável pela saúde da marca no país.

Hoje a rede possui e-commerce próprio e também fez um movimento que todos outros grandes players online fizeram, tornou seu site em um marketplace, permitindo que outros comerciantes utilizem sua plataforma como canal de venda.

Conclusão

A verdade é que o varejo físico ainda é e será por muito tempo o maior canal de vendas. Perder consumidores, ao longo do tempo, depende muito mais das marcas do que dos canais de venda. Sair do e-commerce não é a decisão mais acertada, pois o mundo conectado está aí, todos já estão no online e quem não está quer entrar.

O que os varejistas precisam é oferecer uma experiência de compra integrada, multicanal e melhorar as estratégias para impactar mais consumidores no universo físico e fidelizá-los. Essa é a solução para o ganha a ganha tanto do e-commerce quanto das lojas físicas. No fim do dia, o consumidor quer ter a melhor experiência de compra, o produto para consumo imediato e com a melhor oferta, independente do canal de venda.

Você recomendaria esse artigo para um amigo?

Nunca

 

Com certeza

 

Deixe seu comentário

0 comentário

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentando como Anônimo

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

  Assine nossa Newsletter

Fique por dentro de todas as novidades, eventos, cursos, conteúdos exclusivos e muito mais.

Obrigado!

Você está inscrito em nossa Newsletter. Enviaremos, periodicamente, novidades e conteúdos relevantes para o seu negócio.

Não se preocupe, também detestamos spam.