Empreender no e-commerce é complexo. E, acredite: cansa!

por Mauro Tschiedel Segunda-feira, 09 de março de 2020   Tempo de leitura: 5 minutos

Em uma manhã, num tempo muito distante, um senhor acorda e vai abrir sua mercearia, que fica no andar térreo do seu sobrado. Tão acessível que ele poderia ir trabalhar de pijama, mas não, ele se veste a rigor para mais um dia de trabalho.

Chegando, ele abre as portas, olha para o céu — vendo alguns “rabos de galo” nas nuvens — e lembra dos ensinamentos de seu pai que a chuva poderá chegar nos próximos dias. Volta para dentro da empresa, pega seu caderninho de apontamentos e sua calculadora, e fica aguardando seus clientes para atender.

Este cenário, entretanto, não é muito distante. Acredito que em muitos lugares ainda seja uma realidade diária. Uma vida simples e tranquila.

Já no e-commerce, me dei conta esta semana que estamos entrando numa paranoia de demandas e conhecimentos cada dia mais complexos. Mais conhecimentos técnicos, mais multidisciplinaridade, mais engenharia, mais matemática, mais estatísticas, mais e mais…

Vamos a um exemplo

No meu e-commerce tenho uma categoria de produtos para uso em prototipação de projetos eletrônicos, Internet das coisas, robótica, conhecida como arduino. Para saber informações desta categoria, consigo com poucos cliques no Google Analytics ver de onde vieram os visitantes, quais os estados com mais vendas, quais dias da semana, etc, seria relativamente fácil de saber.

Agora, imagine que nesta mesma categoria eu queira saber algumas coisas como:

  • Qual o impacto de uma Campus Party nas vendas de produtos da categoria arduino?
  • Quando começaram as aulas das escolas em cada estado e o impacto na demanda?
  • Se o governo corta verba das universidades, como fica?

A maioria das pessoas vai pensar que é simples de fazer isto. Afinal, é só olhar um dashboard colorido, com luzinhas piscando e usar um comando de voz: “Qual o impacto que a Campus Party tem na venda de Arduinos?”. Simples, certo?

A verdade é que não funciona como a maioria pensa

Temos que começar a pensar como iremos tocar nossos e-commerces no futuro. A cada dia que passa as demandas são maiores, há mais assuntos, mais tecnologias e mais novidades. Como vamos abarcar todas estas demandas em nossos pequenos negócios para crescer, se desenvolver e ainda ter lucro?

A demanda por pessoas especializadas gera um custo grande para as empresas, que muitas vezes não têm como remunerar adequadamente este profissionais. E, consequentemente, irão procurar outras empresas, com mais capacidade de remuneração ocasionado pelo ganho de escala.

Como escapar desta situação no futuro?

Particularmente, acredito que as PMEs irão sofrer demais para conseguir ultrapassar estas barreiras. Acredito que com tempo os softwares de análise terão uma evolução, tornando mais acessíveis a busca de informações que queremos. Porém, sempre será necessário um cérebro para interpretar mais aprofundadamente os resultados.

Então, sinto muito dizer que se você tem um e-commerce e está cansado da quantidade de informação que precisa analisar, pensar e decidir, não serão anos fáceis.

Fornecedores

Se você tem uma empresa para atender PME, existem oportunidades para modelos de negócios para elas. Pegue processos complexos e simplifique. Tenha um atendimento de verdade. Não queira ser sócio por meios de SaaS, em que são mascaradas os benefícios de seus serviços.

Fico triste de ver muitos negócios que vem para agregar custo às empresas e argumentos que financeiramente não sobrevivem à uma conta de padeiro. Além do custo, se você analisar os impactos negativos que ninguém conta — como lentidão, serviço fora do ar, cobranças indevidas, etc. —, podemos ter mais problemas do que benefícios. Se é para fazer isto, abra uma mercearia.

Ok. Você diz que a solução poderá estar em parceiros de negócios que facilitem a sua vida. Mas, ao mesmo tempo, coloca um monte de dúvidas e monte de regras?

Sim, mas isto faz parte da complexidade do momento em que vivemos. Decidir o que é bom ou não. O que é certo ou não. Esta ferramenta realmente vai me ajudar ou vai só ser mais um penduricalho no meu negócio? Ela se paga? Adianta? Ou só por que apareceu na revista Pequenas Empresas Grandes Negócios eu preciso usar?

Tenha em mente a necessidade de incrementar cada dia os seus conhecimentos. O e-commerce não é mais feito para amadores.

Acho que dificilmente voltaremos a ser o dono da mercearia que anota as vendas no papel de pão. Como nem tudo é só ruim ou só bom, se você conseguir ser resiliente, a sua concorrência será menor a cada dia por conta da complexidade para sobreviver e ser lucrativo.

Operar diariamente cansa. Temos que cuidar para não sofrer esgotamento mental. Precisamos ser resilientes para conseguir conviver com esta nova realidade.


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1 comentário

Comentários

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  1. Parabéns pelo Artigo Mauro! Você me trouxe uma outra perspectiva sobre e-commerces além de mostrar quantas variáveis existem por trás do produto, não é mesmo?

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