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Dia do Cliente: cinco maneiras de ir muito além do cashback na fidelização

Por: Aluísio Cirino

CEO Founder da Alloyal

Aluísio Cirino, CEO e fundador da Alloyal, Loyalty Tech que entrega mais vendas, engajamento e retenção de usuários para empresas por meio de soluções personalizadas de fidelidade.

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O Dia do Cliente, celebrado em 15 de setembro, costuma ser marcado por campanhas promocionais, descontos agressivos e ofertas de cashback. É uma estratégia válida, principalmente em um cenário em que o consumidor brasileiro continua atento ao preço. Mas há uma pergunta que as empresas precisam fazer: quando a promoção acaba, o cliente permanece?

Mulher sorridente usando notebook e segurando um cartão de crédito enquanto realiza compras online.
Imagem: Magnific.

A resposta revela uma mudança importante no comportamento do consumidor. Hoje, fidelidade não se compra apenas com descontos. Ela é construída por meio de experiências consistentes, reconhecimento e relacionamento. Isso não significa que o cashback perdeu relevância, pelo contrário. Segundo pesquisa global da Deloitte, 86% dos consumidores consideram recompensas financeiras um dos fatores mais importantes em um programa de fidelidade. Ou seja, o benefício econômico continua sendo um forte incentivo para atrair e estimular novas compras. Mas o problema é acreditar que ele, sozinho, seja suficiente para criar vínculos duradouros.

À medida que praticamente todos os setores passaram a oferecer algum tipo de recompensa financeira, o cashback deixou de ser um diferencial competitivo e se tornou uma expectativa básica do consumidor. A pergunta deixou de ser “quanto vou receber de volta?” e passou a ser “por que vale a pena continuar comprando desta marca?”.

É justamente nessa resposta que começam os programas de fidelidade mais eficientes. Por isso, resolvi listar alguns pontos de atenção abaixo. Confira:

1. Reconheça o cliente, não apenas a compra

Durante muitos anos, a lógica foi simples: comprar mais significava ganhar mais pontos. Hoje, as empresas possuem recursos para reconhecer comportamentos muito mais amplos. Clientes que interagem com a marca, participam de campanhas, indicam amigos, avaliam produtos, respondem a pesquisas ou mantêm relacionamento constante também geram valor para o negócio. Quando o consumidor percebe que é reconhecido por toda a sua jornada (e não apenas pelo valor gasto) o relacionamento se fortalece.

2. Transforme dados em experiências personalizadas

A personalização deixou de ser um diferencial para se tornar uma expectativa. Segundo a Deloitte, 73% dos consumidores desejam recompensas personalizadas, mas menos da metade das empresas consegue entregar esse nível de experiência. Cada interação dentro de um programa de fidelidade gera informações sobre preferências, frequência de compra, categorias favoritas e comportamento de consumo. Quando esses dados são utilizados de forma ética e transparente, permitem oferecer benefícios muito mais relevantes do que campanhas genéricas enviadas para toda a base de clientes. O consumidor não quer receber mais ofertas, ele quer receber as ofertas certas.

3. Recompense experiências, não apenas transações

Além de descontos, consumidores valorizam acesso antecipado a lançamentos, experiências exclusivas, conteúdos especiais, eventos, benefícios personalizados e serviços que facilitem sua rotina. Esses elementos aumentam a percepção de exclusividade e criam conexões emocionais que dificilmente podem ser copiadas apenas por uma promoção. Quanto maior o valor percebido, menor a dependência de descontos constantes para manter o relacionamento.

4. Faça o cliente sentir que pertence a uma comunidade

Os melhores programas de loyalty deixam de ser apenas mecanismos de recompensa e passam a criar senso de pertencimento. Isso acontece quando o consumidor percebe que faz parte de um grupo com vantagens exclusivas, tratamento diferenciado e relacionamento contínuo com a marca. Isso acontece porque pertencer é um dos fatores que mais influenciam a lealdade, e as pessoas tendem a permanecer onde se sentem valorizadas, reconhecidas e compreendidas.

5. Meça relacionamento, não apenas vendas

Ainda existem empresas que avaliam seus programas de fidelidade apenas pelo volume de resgates ou pelo aumento das vendas em campanhas promocionais. Esses indicadores continuam importantes, mas contam apenas parte da história.

Um programa moderno também deve acompanhar métricas como recorrência de compra, retenção de clientes, frequência de interação, engajamento, tempo de permanência e valor gerado ao longo de todo o ciclo de relacionamento. São esses indicadores que mostram se a empresa está construindo clientes fiéis ou apenas compradores ocasionais.

Por fim, é preciso entender que fidelidade é consequência de valor, e o Dia do Cliente é uma oportunidade importante para agradecer quem escolhe uma marca. Mas, mais do que uma data promocional, ele deve servir como um lembrete de que fidelização acontece todos os dias.

O cashback continuará desempenhando um papel relevante, especialmente em um mercado sensível ao preço. No entanto, seu papel mudou. Ele abre portas, desperta interesse e incentiva a primeira compra. O relacionamento de longo prazo, porém, depende de algo maior: conhecer profundamente o cliente, utilizar dados para gerar experiências relevantes e oferecer reconhecimento de forma contínua.

Em um mercado no qual descontos são facilmente replicados, a verdadeira vantagem competitiva está na capacidade de transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer a relação com o consumidor.

No fim das contas, os clientes não permanecem apenas porque economizam. Permanecem porque encontram valor em continuar escolhendo a mesma marca.