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Por que dark stores são importantes para distribuição logística?

por Marcelo Paciolo Sexta-feira, 29 de abril de 2022   Tempo de leitura: 7 minutos

Ao longo dos últimos anos, temos escutado a expressão “dark store”, principalmente após o início da pandemia. Mas, afinal de contas, o que significa isso? Se fôssemos traduzir literalmente do inglês para o português a expressão seria chamada de “loja escura”. Isso porque, conceitualmente, essas lojas são fechadas ao público, com atividades específicas de um centro de distribuição – armazenar, separar e entregar pedidos para os clientes.

O ponto de diferenciação em relação aos centros de distribuição tradicionais está em dois aspectos: o espaço físico e a localização. É muito comum termos estruturas de CDs enormes e localizadas em áreas mais distantes dos centros urbanos com maior densidade populacional. Em contrapartida, as dark stores são áreas que possuem praticamente as mesmas dimensões de uma loja tradicional e estão situadas em áreas urbanas bem próximas de seus consumidores. Importante ressaltar que a dark store não anula a função do CD, muito pelo contrário, ela agrega valor na cadeia logística, funcionando como o último estágio – e mais próximo – na entrega de um pedido para o consumidor final.

Imagem de um estoque com produtos

Dark stores não são mais um conceito do futuro do varejo, mas sim uma realidade.

O crescimento das dark stores

Esse modelo vem ganhando cada vez mais força em função do crescimento exponencial de compras online dos últimos anos. Sobre esses compradores, temos a estatística de que mais de dois terços estão dispostos a pagar um valor de frete mais alto para que a entrega seja feita o mais rápido possível, de preferência no mesmo dia. Nesse cenário, entramos com as dark stores. Por terem layouts muito semelhantes à de uma operação de centro de distribuição e estarem mais próximas de consumidores de hábitos já conhecidos, elas permitem que as entregas sejam feitas em um prazo muito mais ágil que o modelo tradicional, agregando valor na experiência de compra dos consumidores.

Além do crescimento de compras pela Internet, temos o conceito de omnicanalidade. Independentemente do canal onde a compra foi realizada (online ou offline), a experiência para o cliente sempre deve ser a mesma. Pensando nisso, as dark stores estão deixando de atender apenas o e-commerce e expandindo também para pedidos de retiradas físicas ou até mesmo abrindo as portas para que consumidores possam fazer compras presenciais. Essa função híbrida começou a ser utilizada por redes de supermercado e está ganhando força entre varejistas de produtos domésticos, vestuário e outros bens de consumo.

Algumas vantagens desse modelo de operação

O modelo de operação possui outras vantagens além da possibilidade de entrega mais rápida. Lojas físicas com pouco movimento ou pouca rentabilidade podem ser transformadas de maneira simples em dark stores, com baixo custo de implantação e manutenção da operação, conseguindo atender tanto o público online quanto o offline de maneira eficaz. Por estarem mais próximas do consumidor final, trazem consigo uma redução considerável no custo de transporte e consequentemente nos danos ambientais relacionados à emissão de carbono. Além disso, na malha de distribuição dos varejistas, pulverizam a distribuição que antes estavam 100% concentradas nos CDs, aumentando a capacidade de escoamento com menores prazos e menores custos.

Baseados nesses pontos, gigantes do varejo como o Walmart, o Carrefour e a Target estão inaugurando cada vez mais dark stores em diferentes regiões do mundo, incluindo a América Latina. A utilização delas como teste vale a pena para avaliar a atuação de um novo ponto em uma região, em vez do modelo de expansão baseado em abertura tradicional de uma loja.

A implementação de uma dark store

Para implementar uma dark store, é fundamental conhecer o público e suas respectivas preferências. Através dessas análises, é possível determinar o mix ideal para essa loja, sempre buscando o equilíbrio entre o produto e sua profundidade. Como ponto de partida, o ideal é começar pelos produtos mais vendidos e procurados para que a partir deles essa mixagem seja calibrada. Tão importante quanto a definição do mix é a definição do modus operandi da loja. Utilizando o “know how” dos centros de distribuição, é fundamental que os processos de recebimento, armazenagem, picking e expedição estejam muito bem definidos e, se possível, suportados com a utilização de software de gerenciamento de estoques – WMS.

Durante a pandemia do coronavírus, com as lojas físicas fechadas por meses, muitos empresários tiveram que readequar seus negócios para o comércio virtual com a utilização de lojas físicas apenas como pontos de distribuição. As empresas que migraram para o modelo de dark stores estão percebendo suas vantagens e oportunidades, e pretendem mantê-lo como parte de sua estratégia de distribuição. Por isso, podemos dizer que as dark stores não são mais um conceito do futuro do varejo, mas sim uma realidade.

Leia também: Nova fronteira dos apps, dark stores prometem entregar compra de mercado em minutos

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