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Crossborder e China: como encarar suas implicações no comércio unificado

por Ângelo Vicente Quinta-feira, 06 de dezembro de 2018   Tempo de leitura: 3 minutos

O crossborder ocorre quando os consumidores compram online de comerciantes localizados em outros países e jurisdições. Um exemplo é o Aliexpress (modalidade B2C do Grupo Alibaba), em que pessoas físicas no Brasil compram produtos na plataforma da Aliexpress, baseada na China, e recebem o produto aqui.

Os principais debates sobre essa modalidade ganham força com a ampliação da atuação da Amazon, do Aliexpress e de outros sites importantes que realizam vendas no Brasil a partir de outros países. As principais transformações estão nos modelos de transação comercial e nos processos de nacionalização, armazenagem e entrega desses produtos que cruzam fronteiras.

Um formato que pode ajudar a entender os impactos positivos dessa importante transformação nos modelos de transação comercial é entender os fatores antes, durante e após a transação dessa modalidade.

Antes da transação

  1. Os potenciais compradores e vendedores se conectam através de uma plataforma de e-commerce;
  2. Existe uma troca de informação entre compradores e vendedores sobre produtos, comissões, atendimento ao cliente, garantia, etc;
  3. Quando as condições comerciais estão definidas, então é selada a negociação entre compradores e vendedores, e partimos para a transação.

Durante a transação

  1. Neste momento, ocorre a escolha do meio de pagamento, que muitas vezes envolve cartão de crédito internacional ou pagamentos por wallet como wechat, alipay, apple pay, paypal, wisetransfer, ebanx e outras várias soluções de pagamento disponíveis no mercado.
  2. Outro ponto importante é a escolha da modalidade de entrega, que muitas vezes apresenta uma convencional e uma expressa;
  3. A integração logística acaba sendo a etapa mais importante, pois ela prepara as regulamentações entre as nações dos compradores e vendedores para respeitar as políticas de nacionalização do item, o que envolve o custo do produto (FOB) acrescido do seu transporte (CIF).

Após a transação

  1. Após concluída e aprovada a transação, a mercadoria respeita os trâmites do processo de exportação do vendedor e da importação do comprador. Nesta fase, existe um preparatório documental que envolve basicamente checagem de invoice (fatura) e packing list (lista dos volumes);
  2. Do ponto de vista da tecnologia, a integração dos meios de pagamento com descritivo dos impostos que serão recolhidos e também com a integração dos sistemas logísticos para assegurar o transporte que ocorrem em geralmente três etapas: no inbound até o porto de origem, no frete aéreo ou marítimo até o porto de destino e no last mile até o cliente final;
  3. A parte de pagamentos está associada ao tipo de importação realizada. Se foi na pessoa física ou na pessoa jurídica, as regras são diferentes. No caso de pessoa física numa plataforma B2C, existem regras dispostas pela Receita Federal do Brasil de que produtos acima de USD 100 devem ser tributados de acordo com as leis aplicadas no Brasil.

Os benefícios do Crossborder;

  • Desenvolvimento da cadeia de compradores e vendedores globalmente;
  • Aumento da disponibilidade de produtos e opções de bens de consumo;
  • Conveniente para consumidores e empresas;
  • Facilitador do comércio internacional e auxílio aos pequenos empresários e empreendedores para atuarem numa plataforma globalizada.

Desafios do Crossborder

Atualmente, a modalidade comercial do Crossborder encontra inúmeras barreiras políticas e econômicas para avançar no comércio entre países por meio da Internet sem que haja uma regulamentação padrão que afirme os interesses das partes envolvidas.

A maioria das barreiras é delineada pelas burocracias documentais representadas pelas exigências regulatórias e pelas integrações dos serviços que transacionam e transportam produtos globalmente.

Mundo afora existem algumas metodologias que são aceitas entre alguns países e que mostram um caminho para mudar o modelo que contraria o comércio sem fronteiras, visto que o cliente final se torna o centro das atenções, com a sua opinião sendo considerada um alvo para as empresas que buscam a fidelização de seus clientes.

Com objetivo de aprofundar os temas relacionados aos desafios que precisam ser superados, relacionamos quatro importantes que devem ser levantados para o entendimento da modalidade comercial que vem com foco total no consumidor global. São eles:

1. Estabelecimento e manutenção dos contratos entre comprador e vendedor

Antes de selecionar a modalidade do Crossborder, é preciso pensar em qual tecnologia utilizar. Pode ser uma plataforma própria integrada (funcionalidades avançadas), como a utilização de plataformas como Amazon, Aliexpress, Farfetch, entre outras.

Para isso, é preciso trabalhar nas considerações financeiras, legais e contratuais com os provedores. Isso requer uma estreita relação com escritórios governamentais estrangeiros para entender as questões regulatórias e considerações de entidades locais, o próprio mercado para estabelecer uma empresa com esse propósito, bem como parceiros comerciais (integradores de sistemas locais) que se especializam em desenvolvimento e operações de lojas com essa modalidade.

É importante dedicar recursos e tempo para determinar eventuais restrições de produto que possam diferir das políticas padrão transnacionais, considerando o contexto de cada mercado mundo afora.

Por exemplo: se comprarmos alimentos da China, estaremos sujeitos não somente ao valor do pedido, mas também a anuências como ANVISA para autorizarem a entrada de determinados produtos através da lista positiva. Outro exemplo: se produtos adquiridos no exterior extrapolarem os valores-limite que são taxados pela Receita Federal no Brasil, haverá impostos a serem recolhidos, e a mercadoria será barrada da entrega até que o seu recolhimento esteja concluído.

2. Construindo uma infraestrutura de tecnologia e logística

Os processos logísticos e de infraestrutura de tecnologia são primordiais para apoiar a loja online que utiliza a modalidade do Crossborder. Existem dois pilares importantes e um deles é o rastreamento quando envolve uma estrutura multimodal do exportador até o cliente final.

Imagine que o pedido deverá ter os mais importantes estágios de entrega com a troca de provedores, o que demanda uma integração entre todos os parceiros da solução logística. Outro aspecto importante é a questão da modalidade de pagamento, visto que se está adquirindo uma mercadoria no exterior.

Os meios mais utilizados são os cartões de créditos internacionais ou wallets, que são aceitos em praticamente todos os sites que trabalham com essa modalidade. Quando a opção é a terceirização completa desses serviços, significa desenvolvimento de novas parcerias com prestadores de serviços de logística especializados em Crossborder (importação/exportação) e plataformas de e-commerce que possibilitem esses serviços.

3. Novos perfis de consumidores

Até mesmo as marcas globais mais reconhecidas acham que é necessário algum nível de trabalho de conscientização de marca ao entrar em um novo mercado e permanecer no topo entre os consumidores de forma contínua. Isso significa investir em marketing e geração de demanda em vários canais.

Para a maioria das marcas, é importante ter uma equipe de marketing dedicada (ou ainda outro parceiro) que entenda não apenas o idioma local, mas também especificidades culturais exclusivas, para desenvolver e executar planos promocionais. É fundamental que esses planos se integrem ao próprio calendário promocional do mercado, ao banco de dados de associação e aos canais de marketing.

4. Cuidando de seus clientes

Para quem os clientes do seu mercado irão ligar se tiverem dúvidas ou problemas com um produto, envio ou devoluções?

De fato, no Japão, a falta de atendimento adequado e local foi classificada como a principal razão pela qual os consumidores se abstêm de compras internacionais, de acordo com a eMarketer.

Portanto, os varejistas que fazem isso geralmente acham necessário investir em uma equipe de atendimento ao cliente tropicalizada – ou terceirizar essa função para outro parceiro de serviço dedicado.

Esses desafios podem ser significativos, mas não são intransponíveis. Nosso objetivo tem sido aliviar essas cargas dos varejistas que querem vender através de mercados globais online, criando uma solução abrangente e pronta para uso que aborda e simplifica todos esses quatro aspectos.

A tremenda oportunidade que aguarda os varejistas para alcançar esses consumidores do mercado não deve ser encarada como tão difícil de se realizar. As oportunidades estão aí, e os marketplaces tradicionais estão investindo nos principais mercados de comércio eletrônico para assegurar o funcionamento do Crossborder.

Artigo originalmente publicado na Revista E-Commerce Brasil

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