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Críticas ao mercado de e-commerce

por Thiago Sarraf Quinta-feira, 02 de maio de 2019   Tempo de leitura: 9 minutos

Ao falarmos em crítica ao mercado de e-commerce, acredito que possa ser um puxão de orelha a todos envolvidos no processo de comércio eletrônico, inclusive eu, que atuo com a consultoria. Muitas vezes, o que temos de problemas só depende de nós mesmos para serem resolvidos.

Lembro de ter ouvido algum empresário dizer a frase “Querer um Brasil melhor, só depende de nós” e para o e-commerce o caminho é mesmo. Se quisermos um mercado melhor, um trabalho, uma profissão melhor, isso só depende de nós.

Assim, me deparei com uma carta de um escritor famoso, Albert Pike, de 1875, que dizia que devíamos ler mais. Essa constatação, vindo de uma época que nem existia rádio ou sequer havia passado por nossas mentes, a internet. Quem dirá hoje, com inúmeros recursos que temos.

De maneira nenhuma quero insinuar aqui que a internet é só prejudicial. Podemos sim conseguir grandes fontes de informação, de qualquer canto do mundo, graças a conexão. Contudo, me refiro ao conhecimento provindo de livros.

Nessa mesma carta de 1875, estava escrito que devíamos querer menos cargos, produzir e disseminar mais conteúdos e aprender a ouvir. Senti como se isso tivesse sido escrito ontem. É engraçado como algo tão antigo pode se encaixar tão perfeitamente com os dias de hoje.

Fique atento aos pontos apontados neste artigo e evite fazer parte desse “grupo” ao qual dirigirei minhas críticas ao mercado de e-commerce.

Estude, estude, estude

Principalmente para o ramo do e-commerce. Nesta área, não estudar significa que seu negócio não vai ter sucesso. O que eu mais vejo são lojas com falta de planejamento. Abrir um e-commerce é como abrir qualquer loja física. Não vai funcionar se você simplesmente abrir.

É preciso estudar mercado e seus concorrentes; estudar o local e o público que você deseja atingir; se planejar para ter um mínimo de estoque de produtos – já pensou que má impressão causaria se, durante a inauguração de uma loja nova, os produtos simplesmente acabassem pois só havia uma ou duas amostras?

Sempre falo da importância do planejamento antes de colocar seu negócio na prática, através dos nove pilares do e-commerce. É com base nesses nove pilares que você vai poder ter uma visão geral do seu plano todo para sua loja online.

Conhecimento não é demais e dominando os assuntos que seu e-commerce vai abordar/ vender, confere credibilidade e confiança tanto para o lojista quanto para a loja.

Guerra de preços


É comum vermos a famosa batalha de preços baixos, na esperança de atrair maior número de clientes. Mas, na verdade, não existe essa necessidade de estar sempre lutando por preços. Existe uma história que ilustra bem essa situação e os prejuízos que passam despercebidos:

Dois prestadores de serviço do ramo de desentupimento estavam participando de um leilão para ver quem iria trabalhar em determinada empresa. Na época, o leilão partia de R$ 1,00. Um dos homens decidiu aumentar para R$ 2,00. O seguinte dobrou a oferta. E assim foi acontecendo até que o leilão parou em R$ 30,00.

Se pensarmos bem, entre R$ 1 e R$ 2, existem outros 99 valores que podiam ser pagos. Não havia essa necessidade de preços. Ou seja, os participantes do leilão rasgaram dinheiro.

Pensando no ramo digital, o Google adora guerras de preço e leilões reversos. Porém, pensando no bolso, não é uma opção agradável. Sabendo como funciona e com bom planejamento, não era necessário nem ter gasto 1 centavo no anúncio e, sim melhorado a performance dele.

A guerra de preço na qual me refiro aqui é o preço do produto. Se você alterar 1 centavo e conseguir manter as mesmas condições, a venda pode ser sua. Não há a necessidade de gastar R$ 1 ou R$ 1 mil a mais naquele produto.

Não é saudável para ninguém vender o produto com o preço muito abaixo. Aliás, fazer a venda com um valor muito baixo, significa que você está “prostituindo” aquele mercado. E o consumidor só ficará esperando uma condição igual e isso não é saudável para ninguém.

Desconfie quando o preço de algum produto está muito diferente dos demais, pois isso pode ser uma fraude e das grandes. Esse item também está atrelado diretamente à nossa cultura, à como fomos ensinados e doutrinados, e também ao atual cenário econômico do nosso país.

Frete grátis


Em um exercício com um cliente, ele oferecia Frete Grátis em compras a partir de R$ 240,00. Legal, mas seu ticket médio compra R$ 240,00?

A resposta foi não. O ticket médio dessa loja era de R$ 700,00 e apenas três produtos comercializados os preços eram menores do que R$ 240,00.

Dessa forma, por que não dizer que o frete grátis vale para a loja toda? É comercialmente melhor e mais apelativo.
Em outras palavras isso significa que a conta não foi feita. O frete grátis não foi inserido como uma estratégia calculada de aumento de vendas, mas foi uma ação “automática”, pois muitas lojas oferecem frete grátis, e não pensada, pois o valor era abaixo do ticket médio.

Meu objetivo aqui não é dizer que o frete grátis é algo ruim ou que não impacta estrategicamente a suas vendas, mas sim que ele é oferecido sem pensar. De acordo com uma pesquisa da Webshoppers, o número de lojas que oferecem frete grátis está abaixo dos 42%. Você pode, sim, vender sem utilizar o recurso do frete grátis.

Investimento sem controle


Esse item casa com a Guerra de Preços, pois, muitas vezes na busca por resultados, os investimentos não são calculados e pensados e, por fim, não há faturamento.

Investir em marketing e esperar faturamento, no que se diz respeito ao uso das “fórmulas”, não faz sentido. Você pode faturar aqueles números de sete dígitos, mas gaste os sete.

Não é uma crítica a algum modelo, mas meu ponto é que o planejamento e fazer contas são imprescindíveis. Caso contrário, os investimentos serão sem controle e não eficazes.

Faça as contas e trabalhe dentro de uma realidade que seja possível para todos ganharem dinheiro.

Terceirização do problema

Já citei em outros artigos que para ter um e-commerce/ liderar um e-commerce é preciso estudar e saber um pouco de cada área que envolve o processo.

Fazer cálculos, contar estoque, controlar vendas etc. Tudo isso pode ser chato, eu entendo. No entanto, não deixe isso para uma terceira pessoa fazer. Ela pode não ter o real interesse no negócio, além de não ter a mesma visão que você tem.

É importante que você pesquise algumas ações estratégicas que você tem de tomar e não apenas fugir delas. Entendo que é maçante, desgastante, mas é algo que você escolheu fazer. Você escolheu o e-commerce e decidiu trabalhar com ele. Se for nisso que acredita, vá até o final com ele.

Conclusão

O recado que deixo aqui é: planeje-se. Coloque as contas na ponta do lápis. E evitar fazer parte dessas “regras” do mercado.

Além de evitar o gasto desnecessário de dinheiro, você tem a faca e o queijo na mão para ter um negócio de sucesso. Não somos seres imunes a críticas ou erros, por isso ressalto a importância de sentar e planejar para que os erros sejam mínimos.

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