Cresce investimento em computação em nuvem no Brasil

por Maria Gabriela Ortiz Sexta-feira, 18 de janeiro de 2019   Tempo de leitura: 7 minutos

A computação em nuvem, ou cloud computing em seu original, é uma tecnologia cuja adoção cresce diariamente em todo o mundo. Isso, por sua vez, levou a um aumento dos investimentos no Brasil.

De acordo com o estudo “Desempenho Global sobre Computação em Nuvem”, feito pela BSA com 24 países que lideram o mercado de Tecnologia da Informação (TI) mundial, o Brasil saltou da 22ª posição em 2016 para a 18ª em 2018.

O indicativo é positivo. Pois mostra que o país investe em uma tecnologia que revolucionou a comunicação pela internet e ainda tem um potencial enorme, embora ainda haja alguns percalços que impeçam um crescimento maior.

Entenda melhor do que se trata a computação em nuvem, como está seu investimento no Brasil e no mundo e o que isso representa.

O que é cloud computing?

Basicamente, é uma tecnologia que faz uso de servidores remotos hospedados na internet para armazenar, gerenciar e processar dados ao invés de delegar tais atividades a um servidor ou computador local.

O termo se tornou popular em 2006, quando a Amazon lançou um produto chamado de Elastic Compute Cloud. Trata-se de parte da sua plataforma de computação em nuvem. Embora referências ao seu funcionamento já existam desde 1996, é a primeira de que se tem notícia um documento interno da Compaq.

Além da Amazon, em 2006, a Google lançou o Google App Engine, plataforma de computação em nuvem, em sua versão beta no ano de 2008. A NASA lançou a OpenNebula, plataforma da mesma categoria, também no ano de 2008, e a Microsoft lançou o Azure em 2010.

A partir de então, o desenvolvimento da computação em nuvem tomou grandes proporções, o que fez com que ela despontasse como uma das principais inovações tecnológicas para os próximos anos.

Hoje em dia, atividades do nosso cotidiano fazem uso da cloud computing, como armazenamento em nuvem (Google Drive, Microsoft OneDrive, Dropbox), aplicativos de edição de documentos (Google Documentos, Apresentações, Planilhas), streaming de vídeos (YouTube, Netflix) e atualizações em mídias sociais, entre tantas outras aplicações.

Como anda o investimento mundial na computação em nuvem?

Em franca ascensão e com a expectativa de que mantenha esse crescimento por um bom tempo.

De acordo com o IDC Salesforce Economy Study, divulgado em 2016 pela IDC, estima-se que os gastos em computação em nuvem pública (quando um provedor de serviços cria recursos destinados ao público em geral) em todo o mundo entre 2015 a 2020 sejam os seguintes, com o respectivo crescimento a cada ano:

  • 2015: US$ 67 bilhões;
  • 2016: US$ 82 bilhões (+22,38%);
  • 2017: US$ 99 bilhões (+20,73%);
  • 2018: US$ 117 bilhões (+18,18%);
  • 2019: US$ 138 bilhões (+17,94%);
  • 2020: US$ 162 bilhões (+17,39%).

Neste cenário, de 2015 a 2020, o crescimento seria de 241,8%.

De acordo com a Gartner, o crescimento dos softwares na nuvem entre 2018 e 2019 deve estar na faixa dos 22%, bem diferente do crescimento de 6% para as outras formas de software.

Outra estimativa da Gartner, feita em 2017, indica que o mercado de cloud computing deve alcançar o valor de US$ 411 bilhões em 2020, número ainda maior do que o visto anteriormente.

As estimativas vêm de diferentes fontes, mas mostram que o investimento em cloud computing cresce vertiginosamente em todo o mundo, o que por sua vez impacta diretamente no Brasil.

Investimento em cloud computing no Brasil

O país acompanhou a tendência mundial de crescimento da computação em nuvem e também passou a investir mais nessa área. No estudo feito pela BSA citado anteriormente, a evolução do Brasil da 22ª para a 18ª colocação é significativa, principalmente em relação aos outros países da América Latina.

A lista é encabeçada por Alemanha, Japão, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, e o primeiro país latino-americano que aparece é a Argentina, em 17ª posição, apenas uma à frente do Brasil.

Um relatório divulgado pela IDC referente ao primeiro semestre de 2017 mostrou que o valor dos serviços mundiais de nuvem pública aumentou 28,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior e atingiu uma receita de US$ 63,2 bilhões.

Já outro relatório, também da IDC, mostra que 40% dos investimentos em TI das empresas latino-americanas serão baseadas na nuvem em 2018, e o Brasil abocanha uma boa parcela desse investimento.

A Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) divulgou dados referentes a 2017 que mostraram que o segmento de nuvem cresceu 51,7% no ano e atingiu uma receita de R$ 4,4 bilhões.

Ainda de acordo com a Brasscom, o crescimento no segmento entre 2018 e 2021 deve ser de 27% ao ano, o que fará com que se atinja a seguinte receita em cada uma das áreas da computação em nuvem:

  • Infraestrutura como serviço (IaaS): R$ 12,4 bilhões;
  • Software como serviço (SaaS): R$ 12,3 bilhões;
  • Plataforma como serviço (PaaS): R$ 4,3 bilhões.

Caso as expectativas se confirmem, o setor de cloud computing no Brasil deve atingir o valor de R$ 29 bilhões, o que provavelmente fará com que o país escale ainda mais posições no ranking mundial.

Computação em nuvem também é usada no e-commerce

As lojas virtuais atraem um maior número de clientes a cada dia que passa. Antigamente, pensava-se que essa era uma alternativa não tão confiável quanto as lojas físicas, o que já foi desmistificado há tempos e pode ser comprovado pelas altas cifras movimentadas por e-commerces.

Devido a esse aumento na procura, é importante que os varejistas virtuais estejam preparados para lidar com as necessidades dos clientes e oferecer a melhor experiência possível, e a área de SaaS do cloud computing se mostra como uma grande aliada.

Lojas virtuais que recorrem à computação em nuvem podem desfrutar os seguintes benefícios:

Escalabilidade: a computação em nuvem permite que a capacidade computacional da loja virtual seja aumentada em períodos sazonais, em que a procura é maior, enquanto datas de menor procura podem contar com uma capacidade limitada e, consequentemente, mais barata.

Velocidade: esse é um ponto fundamental na internet, que é um ambiente ágil, onde os clientes não querem esperar. A capacidade de banda, armazenamento e poder computacional trazidos pela computação em nuvem faz com que a loja seja mais rápida para os clientes, o que por sua vez pode impactar diretamente no faturamento.

Redução de custos: ter um servidor físico demanda um alto investimento, tanto para a aquisição dos equipamentos e sua instalação quanto para as manutenções preventivas e corretivas. No cloud computing, basta fazer o pagamento do plano contratado e todas as manutenções serão de responsabilidade da empresa que oferece o serviço, o que pode resultar em uma redução importante de custos.

Segurança: os grandes sistemas computacionais utilizados para o oferecimento de serviços de cloud computing contam com backups constantes e mantêm as informações protegidas. Assim, os dados dos clientes estarão seguros, o que é determinante para a confiabilidade da empresa.

Entre tantas áreas de aplicação da computação em nuvem, os e-commerces podem desfrutar mais diretamente de seus benefícios, já que dependem diretamente da internet para seu funcionamento, e ter uma infraestrutura mais potente e segura é indispensável para superar a concorrência.

Crescimento constante da cloud computing deve se manter

Com tantos estudos e pesquisas que indicam o crescimento no setor, é de se esperar a confirmação das tendências, o que resultará em um cenário positivo para as empresas, sejam elas diretamente ligadas à tecnologia ou não.

O poder da computação em nuvem é massivo, e sua aplicação já mudou totalmente a forma com a qual nos relacionamos com o mundo, seja no consumo de conteúdo, no armazenamento de dados ou no uso de sistemas remotos em computadores, smartphones e outros dispositivos conectados à internet.

Por isso, não será motivo de espanto se a cloud computing aparecer na gestão de contas da sua empresa e conquistar um posto cativo no orçamento. Afinal de contas, esse é um investimento que vale a pena fazer para não ficar para trás no mercado.

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