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Como foi o primeiro semestre do ano em relação à logística?

por Thaysa Coutinho Terça-feira, 19 de junho de 2018   Tempo de leitura: 9 minutos

Enfim, chegamos na metade do ano. E eu te faço a seguinte pergunta: você conseguiria listar a quantidade de notícias publicadas sobre reajustes, taxas adicionais nas entregas dos Correios, greves e problemas relacionados à logística que afetaram diretamente o e-commerce? Não? Pois é, realmente foram inúmeras. Pensando nisso, reuni neste artigo as notícias do ano para refletirmos sobre possíveis soluções.

Meses atrás, eu escrevi um texto relacionando o impacto das mudanças na legislação e os Correios na satisfação do consumidor, que foram evidentes através de nossos dados internos, a partir dos reviews de loja que avaliam a satisfação em relação à entrega dos produtos.

No começo do ano, em janeiro, passou a valer a obrigatoriedade das notas fiscais nos despachos de produtos feito pelos Correios. Isso gerou muita confusão para os lojistas que vendem online, pois precisaram preparar seus sistemas operacionais para evitar a recusa da postagem. Além de lidar com a situação da segurança do transporte dos itens, uma vez que lidamos com muita criminalidade o tempo todo e muitas cargas são roubadas.

“Vale enfatizar que, sem anexar o documento fiscal ou a declaração de conteúdo, não haverá despacho. Isso prejudica o fluxo de vendas, gerando lentidão no processo e insatisfação por parte do cliente”, disse à época Marcela Gava para a redação do E-Commerce Brasil.

Já em fevereiro, os Correios anunciaram a nova política de indenização para atrasos na entrega, que não favorece em nada os lojistas. Antes, uma encomenda enviada por Sedex Hoje, Sedex 10 e Sedex 12 que estivesse atrasada, tinha o valor total ressarcido pela estatal. Se fosse uma mercadoria enviada por Sedex Simples ou PAC, tinha o percentual indenizado de acordo com o tempo de atraso. Com a nova política, os prazos aumentaram e diminuiu o percentual devolvido pelos Correios.

“Hoje, o varejista que tiver um PAC atrasado pode ser ressarcido em até 30%. A partir do dia 28 de fevereiro, ficará entre 5% e 15%, exemplificou a redação do E-Commerce Brasil.

Ainda no mês de fevereiro, ocorreu um incêndio no Centro de Entrega de Encomendas no Rio, destruindo cerca de 9 mil encomendas. A consequência disso? Atrasos na entrega e mais prejuízos para os lojistas.

“(…) os clientes deverão registrar uma reclamação por meio dos canais de atendimento dos Correios para serem indenizados. Ressaltando que a indenização cabe sempre ao remetente da encomenda, conforme legislação postal mundial”, ponderou o texto publicado pela redação do ECBR.

Também em fevereiro foi refletido o efeito da demissão dos funcionários terceirizados no mês de janeiro, do CTE Saúde (um dos centros de tratamento de encomendas dos Correios de São Paulo). Boa parte das encomendas já estavam atrasadas em até duas semanas.

Como se não bastasse, fevereiro ainda teve mais…

Teve reajuste no preço do serviço de despacho postal dos Correios, restrição de entregas em quase metade dos CEPs do Rio de Janeiro (devido à criminalidade) e, pra fechar com chave de ouro, o reajuste de até 51% do frete dos Correios.
“Ao escolher repassar os custos da sua ineficiência operacional, os Correios, líder na entrega de encomendas no e-commerce, figuram como principal responsável por prejudicar significativamente a evolução do segmento”, comunicou o Mercado Livre.

O mês de março se iniciou com o pronunciamento da ABComm sobre dialogar com os Correios. Nesse caso, a intenção era uma tentativa de minimizar os efeitos da nova tabela de fretes e a ação do Procon contra a estatal, que anunciou uma taxa extra de R$ 3 para entregas no Rio.

O reajuste nos fretes passou a valer a partir do dia 03 de março, sofrendo um aumento de 8% em média. Em alguns casos, dependendo de envio, peso, origem e destino, chegou em 51%.

No dia 12 de março, teve greve dos Correios, afetando 22 estados e o DF, ocasionando mais uma vez o atraso nas entregas de mercadorias e, consequentemente, a insatisfação dos consumidores. E no dia 26 do mesmo mês ocorreu um incêndio que prejudicou a central de distribuição dos Correios em Indaiatuba, interior de São Paulo.

No final do mês de abril, a ABComm conseguiu uma liminar que limita o reajuste nos fretes do Sedex e do PAC. Dessa maneira, os Correios tiveram que “travar” o reajuste em até 8% – lembrando que chegou em 51%. “Visualizamos um impacto direto na operação logística de pequenos e médios e-commerces de todo o país. Mais de 7 mil lojas virtuais parceiras da associação arcariam com valores exorbitantes para conseguir comprar e vender no comércio eletrônico”, disse o advogado responsável pela ação coletiva.

Em meados de maio, surgiu a notícia de que os Correios fechariam 513 agências e demitiriam os funcionários delas, chegando a aproximadamente 5,3 mil trabalhadores. Nesse caso, a fonte era do do jornal o Estado de S. Paulo.

Em nota, o presidente dos Correios, Carlos Roberto Fortner, afirmou: “realizamos estudos pormenorizados de readequação da rede de atendimento, incluindo não apenas a rede física, mas os novos canais digitais e outras formas de autosserviços”.

Em 18 de maio, os Correios derrubaram a liminar conquistada em abril pela ABComm, que limitava o reajuste dos fretes em até 8%. Ou seja, todos os lojistas passaram a pagar a nova imposição dos reajustes, afetando nos preços dos produtos comercializados e, claro, a satisfação do consumidor.

Para fechar o mês de maio, no dia 21 iniciou a greve dos caminhoneiros contra o aumento do combustível, fechando as vias de mais de diversas estradas em mais de 10 estados. Diversos caminhões dos Correios sofreram com a greve (e, em alguns casos, pareceram aderir a paralisação). Em consequência, a estatal decretou a suspensão das postagens de Sedex 10, 12 e Hoje. Resultado? Mais atrasos nas entregas.

A ABCOmm também se pronunciou sobre a greve dos caminhoneiros: “Diversos atrasos na entrega de mercadorias já são registrados e há um forte aumento de custos logísticos com reprogramação dessas encomendas. Os prejuízos para o setor, para os consumidores e para o país são incalculáveis”, afirmou Mauricio Salvador, presidente da ABComm.

Com 11 dias de greve, o e-commerce nacional apresentou sérios prejuízos, deixando de faturar R$407 milhões de acordo com levantamento da Ebit. Muitos lojistas tiveram perdas de até 49% no faturamento diário, um cenário extremamente crítico para um país sem indícios de melhoras.

Os Correios anunciaram no começo do mês de junho que deixaram de entregar 85 milhões de objetos postais, entre encomendas e mensagens, e não garantiam prazo de entrega de encomendas. Por outro lado, o Procon afirmou a possibilidade de multar lojas por atraso na entrega durante a greve.

Procurar meios alternativos de entrega dos produtos já não é mais uma opção há tempos. Com as notícias recebidas diariamente, aumenta a realidade de que depender exclusivamente dos Correios prejudicará sua operação.

Uma tendência na logística muito discutida são os pick up points, há anos utilizados nos Estados Unidos, França e Inglaterra. Tratam-se de locais físicos (como lojas físicas) que funcionam como espaço para retirada e devolução de mercadorias adquiridas pelo e-commerce. Ou seja, o cliente compra pela internet, escolhe um ponto de retirada cadastrado mais próximo da sua residência e dentro do prazo estipulado, geralmente 7 dias úteis, ele comparece ao local para retirar sua encomenda.

Além de ser uma alternativa, os pick up points estimulam a economia compartilhada, uma vez que o consumidor comparece ao local (pode ser uma loja de calçados, por exemplo) para retirar seu produto comprado online, e acaba adquirindo outro na loja física.

No Brasil já existem empresas oferecendo esse tipo de serviço, com mais de 100 locais ativos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

E para você, quais são os meios alternativos de logística mais viáveis para o nosso país?

Você recomendaria esse artigo para um amigo?

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