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Como desenvolver um e-commerce com acessibilidade

Por: Alessandro Silveira

Alessandro Silveira é formado em Administração e Comércio Exterior pela FESP. Possui especialização em Administração pela New School University em Nova York, Especialista em e-commerce e logística. É sócio fundador do Ideris.

De acordo com o último Censo do IBGE, existem mais de 7 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência visual e mais de 8 milhões com problemas auditivos — além de dificuldades motoras. Seu e-commerce está preparado para atender essas pessoas?

Infelizmente, ainda existem poucos sites e aplicativos com navegação otimizada para quem enxerga e escuta pouco ou não conta com esses sentidos. Pensar em uma loja virtual com acessibilidade não é apenas uma questão de vendas, mas também de inclusão. Por isso, criar uma página mais acessível é um diferencial que destaca você da concorrência tanto no que se refere a oportunidades de negócios quanto em empatia.

Por que otimizar

Já foi o tempo em que pessoas com deficiência eram associadas à invalidez. Cada vez mais essa população ganha posições no meio acadêmico e no mercado de trabalho. Cresce, também, seu potencial de consumo — seja adquirindo soluções para melhorar a qualidade de vida, seja comprando itens como roupas, cosméticos, aparelhos de tecnologia, acessórios para pet, móveis, entre outros.

Considerando que muitas vezes o comércio físico é falho no quesito acessibilidade, o e-commerce tem tudo para se tornar um ambiente acolhedor. Sem sair de casa para fazer compras, essa parcela da população pode até mesmo ganhar mais autonomia. No entanto, a otimização de navegabilidade deve ser encarada como assunto realmente importante. Isso serve para sellers, desenvolvedores, designers, atendentes e demais profissionais que de algum modo trabalham com varejo online.

Idosos

Vale destacar que a acessibilidade também facilita o acesso de idosos ao e-commerce. São quase 30 milhões de pessoas nessa faixa etária (13% dos brasileiros), com expectativa de dobrar nas próximas décadas — segundo a Projeção da População divulgada pelo IBGE em 2018.

Percebe como ter uma loja virtual acessível é relevante?

Como desenvolver

Você já encontrou (ou utiliza) a #PraCegoVer no Instagram ou Facebook? Esse projeto tem um objetivo super bacana: descrever imagens e vídeos por áudio, facilitando o acesso de quem não enxerga. Prova de que deficientes visuais podem estar nesses espaços e se sentirem incluídos.

Já no e-commerce, existem alguns recursos que tornam a navegação mais acessível sem prejudicar a estética nem a usabilidade. Os principais cuidados assistivos que você deve disponibilizar são:

Visão

Espaçamento entre os textos, zoom nas imagens, tamanho das letras ajustável, ativação de contraste de cores, leitor de tela (áudio-descrição), ampliação do cursor e guia de leituras.

Audição

Insira legendas, closed captions ou intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em todos os conteúdos de vídeo.

Motora

Navegação intuitiva e menus objetivos — além dos recursos anteriores para audição e visão.

Cognitiva

Conversor de áudio em texto (e vice-versa) para barra de pesquisa e atendimento via suporte, teclado alternativo na tela.

Soluções eficientes

Embora pouco conhecidas, diversas soluções de acessibilidade (que podem ser bastante eficientes para otimizar seu e-commerce) são disponibilizadas no mercado de TI. O Hand Talk, por exemplo, é um aplicativo gratuito para smartphone. Neste caso, um intérprete 3D traduz textos e áudios para Libras automaticamente usando Inteligência Artificial.

Já a extensão gratuita Color Enhancer, para Google Chrome, permite que daltônicos criem filtros de cores personalizados, facilitando a leitura nos sites. Esse recurso é muito interessante para não precisar abrir mão dos contrastes em sua loja virtual (botões chamativos, por exemplo), pois o usuário decide quando e como utilizá-lo.

Outra extensão para o Chrome é o aplicativo funkify (gratuito por alguns dias). Ele simula diversas situações de como seria o acesso ao seu site por uma pessoa com deficiência cognitiva. Ou seja, permite encontrar melhorias importantes, como: mistura de cores não aconselháveis para quem tem epilepsia ou autismo, tamanho das informações na tela, tipos de atendimento disponíveis, etc.

Pense na acessibilidade com empatia

Como mencionei anteriormente, a acessibilidade no e-commerce é uma grande oportunidade de chegar a mais pessoas. Mas, além disso, colocar-se no lugar do outro é um exercício de empatia. Que tal tornar sua operação mais inclusiva? Pensei nisso!

Sucesso nos negócios e até a próxima.