Como criar ótimos produtos reduzindo riscos e incertezas

por tiagorosaux Terça-feira, 26 de Maio de 2020   Tempo de leitura: 10 minutos

A primeira coisa que vem na cabeça de alguém que teve uma ideia de negócio normalmente é uma lista de funcionalidades que este produto ou serviço precisa ter/fazer para existir. Porém, isso fomenta um maior risco de desperdício de tempo, dinheiro ou energia.

E o motivo é simples: em estados iniciais da vida de um produto ou serviço há a incerteza. Não sabemos se as funcionalidades pensadas vão de fato funcionar. Afinal, o que significa “funcionar”? Não basta estar funcionando, precisa ser de fato utilizado.

Das iniciativas de criação de produto e serviço, 72% não dão certo – Simon Kurcher & Partners

Neste artigo vou te ajudar a estruturar o seu processo de descoberta para guiar sua criatividade de uma forma que você consiga reduzir o risco, diminuir incertezas e economizar tempo, dinheiro e esforço ao criar um novo produto/serviço — ou até mesmo uma funcionalidade.

Não, não é um milagre! 🙂 Infelizmente, essas coisas não existem. E, definitivamente não é uma receita mágica com sucesso garantido.

Um aviso importante é que não existe bala de prata. Seguindo exatamente esses passos, você provavelmente não vai se tornar o próximo Mark Zuckerberg em uma semana. Porém, você irá entender o processo de criação de um produto focado na solução de problemas/oportunidades de negócio. E reduzir seus riscos de fracasso.

O processo é super simples, e envolve apenas 4 etapas de forma cíclica, tendo em mente a busca pelo ponto em comum entre “desejabilidade, viabilidade econômica e técnica”.

  • Pensar
  • Definir/decidir
  • Construir
  • Testar

Ao longo deste artigo vou descrever cada atividade e sugerir ferramentas que irão te ajudar em cada uma delas.

Pensar e definir 

O primeiro fator a se pensar ao criar um novo produto, serviço ou funcionalidade é saber:

  •  qual o problema ou oportunidade você está querendo endereçar? Para qual tipo de público?

Ferramentas

Value proposition canvas – para mapear e entender melhor seu público alvo.

Comece pelo tipo de consumidor:

  1. Quais atividades ele precisa realizar?
  2. Quais problemáticas/irritações/frustrações (…) existentes?
  3. Quais os resultados positivos concretos que os consumidores gostariam de atingir inspirações?

Depois, passe para o lado esquerdo com a proposta de valor.

  • Qual produto ou serviço você irá criar?
  • Como ele vai solucionar ou minimizar as problemáticas dos consumidores?
  • Como irá criar ou aumentar os resultados positivos esperados pelos consumidores?

Para preencher este canvas você pode entrevistar potenciais clientes ou grupo de clientes, ou seguir com suas hipóteses de respostas. Para um produto que está começando, eu recomendo começar com hipóteses do que seriam as respostas para cada um dos campos deste canvas.

Este canvas irá ajudar a preencher os campos 1 e 2 do próximo canvas, que iremos visualizar:

Business model canvas. Mapeie seu modelo de negócio.
  • Qual perfil de audiência será consumidor do seu produto?
  • Qual valor você propõe para estes consumidores?
  • Quais canais irá utilizar para se conectar com este consumidores?
  • Qual tipo de relação você irá estabelecer com seus consumidores?
  • Como você imagina captar valor, dinheiro? Quais mecanismos?
  • Quais recursos são indispensáveis?
  • Quais atividades chaves para poder performar?
  • Quem serão seus parceiros?
  • Quanto tudo isso pode custar?

Lean Ux canvas é uma outra alternativa. De todas, a que eu mais gosto, pois é mais direta ao ponto e te ajuda a pensar e definir sua próxima ação mais importante.

  1. Qual problema você detectou?
  2. Quais resultados esperados ? Quais métricas você poderá utilizar para medir se o resultado está ou não sendo alcançado?
  3. Qual o público-alvo?
  4. Quais os resultados para este público alvo? (como você estará resolvendo/minimizando os problemas deles?)
  5. Quais soluções você imaginou para resolver estes problemas e alcançar os resultados?
  6. Defina sua hipótese em uma frase.
  7. Para cada hipótese do box 6, O que você precisa aprender primeiro?
  8. Qual a menor quantidade de trabalho necessária para aprender o que foi preenchido no box 7?

Testing cards – para te ajudar a definir o que você gostaria de testar 

Caso você já tenha um produto, quais dados você consegue tirar de ferramentas como Google Analytics e Hotjar para preencher os canvas acima? 🙂

Ps: não se preocupe. Sua vida não vai virar um mar de canvas :). Você pode escolher apenas 1 para seguir. Business Canvas model ou Value proposition ou Lean UX. 😅

Métricas

Métricas são um fator super importante. Ao pensar nelas, tente evitar métricas de vaidade. Ou seja, aqueles números boniiiitos que te fazem sentir super bem, mas que não querem dizer muita coisa.

Ex: 1 milhão de downloads em um aplicativo. Dá um sentimento gostoso ver esta métrica, certo? Poré, quantos usuários ativos ? Quantas horas por semana estes usuários ativam utilizam o app? Qual receita gera este app?

Métricas são um assunto que eu adoro. Mas, para garantir um artigo que se possa ler rápido, priorizei falar apenas da métrica de vaidade para você evitar. Mais sobre outros tipos de métricas em um próximo artigo. Que tal? 🙂

Continuando…

Construir para teste

  • Qual tipo de teste você vai realizar?
  • Qual a forma mais simples para prototipar essa ideia em um cenário real?
  • Criar o protótipo

Ferramentas

Typepeform – uma forma fácil e rápida de viabilizar formulários e fluxos simples;

Wix, SquareSpace, Webflow – práticas para criar sites e landing pages.

Zapier – essencial para conectar diversas ferramentas. Estranho? Relaxa. Explico rápido: imagina que você tem um formulário no typeform e à cada resposta você gostaria de adicionar uma linha no Google Sheets (Excel do Google). Com o zapier você pode automatizar isso e outras milhões de coisas. Eu já criei um serviço inteiro rodando com Zapier, Typeform e uma landing page simples.

Google Sheets – Excel do Google

Twilio – para mandar SMS

Mailchimp – para mandar e-mails

Testar

Vale lembrar que testar é diferente de fazer um pitch ou vender uma solução. Ao testar um produto/serviço é muito importante que você:

  • Recrute pessoas que fazem parte do seu público.
  • Não se preocupe com quantidade. No início, você pode começar testando com poucas pessoas (de 3 a 5), de forma qualitativa, para obter insights sobre o que está ou não funcionando no seu protótipo de produto.
  • O que fazer com o resultado do teste? Escalar? Pequenos ajustes? Mudar de direção?

Uma ferramenta útil após um teste é o learning card, onde você pode preencher o que você imaginava versus o que aconteceu e a decisão que você irá tomar a partir disso.

Dicas importantes: mantenha o equilíbrio

Existe uma coisa muito importante a ter em conta quando rodando estes ciclos de construção, medição e aprendizado: é necessário o equilíbrio entre tempo, energia e dinheiro aplicado em cada etapa. Não adianta testar muito uma solução se o problema não é bem definido.

Não adianta passar muito tempo definindo o problema sem poder testar algo Concreto com o público alvo.

Equilibrar o seu ciclo, por mais contra intuitivo que pareça, é a forma mais inteligente de conduzir a criação de um novo produto ou serviço.

Produtos como Nespresso, Airbnb e Post-it são exemplos claros de ótimas ideias que no início de sua vida estavam tentando resolver um problema diferente.

  • Nespresso inicialmente era um produto destinado a empresas. Ao mudar o tipo de público e alguns detalhes na operação, o produto decolou.
  • Airbnb se iniciou como uma solução para hospedar participantes de conferências quando hotéis ao redor de conferências se encontravam lotados.
  • A cola que temos hoje em Post-it foi resultado de um produto que falhou para o propósito pensado inicialmente, mas que representava uma oportunidade de ouro pra resolver um outro problema.

A única coisa que vai te permitir de descobrir tudo isso de forma saudável é passando por um ciclo curto de aprendizado, decisão, construção e teste. E quando chega ao fim, simplesmente recomeçamos. Se uma nova ideia, do zero. Se um problema Existente, reduzindo incertezas e adicionando musculatura, inteligência e otimização a algo já existente

Dicas importantes: visualize seu trabalho

Se começando sozinho ou em equipe, visualizar o seu trabalho vai ajudar a manter o foco. Eu recomendo o método Kanban. Ele é super simples: comece listando as etapas do seu trabalho neste novo produto. E cole Post-its equivalentes à suas ações. Limite a quantidade de itens que você trabalha ao mesmo tempo.

Claro, o método Lean Kanban é bem mais complexo que isso, sendo outro tema que vale um artigo — mas vai ficar para uma próxima! 🙂

Caso você tenha gostado deste conteúdo, esse canal oferece semanalmente vídeos sobre UX, Agilidade e Produto.


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