Como as fast fashion impactam no e-commerce de vestuário?

por Carlos Alves Terça-feira, 25 de junho de 2019   Tempo de leitura: 4 minutos

Com coleções trocadas com frequência e peças mais baratas, o mercado de fast fashion não para de crescer. De acordo com dados do relatório “The Fashion and Apparel Industry Report”, esse setor deve passar de US$ $481,2 bilhões em 2018 para uma projeção de US$ 712,9 bilhões em 2022. O poder de compra deve aumentar, assim como o número de consumidores em potencial — pode passar de 1,2 bilhões em 2020, sendo a maior parte nas faixas etárias de 16 a 24 anos e 25 a 34 anos.

Esses dados refletem diretamente no e-commerce desse setor. Afinal, caminham em paralelo à uma massificação do acesso a telefones celulares com internet e hábitos crescentes de compra online. O relatório levanta também alguns desafios ao crescimento do fast fashion:

  • a morte da fidelidade absoluta às marcas devido a fragmentação cada vez maior do mercado;
  • custos das altas taxas de devolução de produtos: podem chegar a 50%, a característica do fast fashion de captar tendências no ar e transformá-las em produtos muito rapidamente;
  • a pressão dos consumidores de que essa moda seja mais ética e sustentável — o grande calcanhar de Aquiles do setor.

Algumas marcas têm se expandido online com uma estratégia pensada para vender fast fashion na internet. Estão renovando a linha de roupas mensalmente, com designs exclusivos para cada coleção. Trata-se de um controle de qualidade rígido, bem como valores menores que o das concorrentes. Outras inovações são vídeos para mostrar o caimento das peças e políticas diferenciadas de entrega e devolução.

Todavia, tanto veteranos quanto recém-chegados estão se mexendo para não perder esse mercado. A gigante Amazon tem 18 marcas próprias de vestuário. Marcas de nicho, como as plus size Dia & Co e Eloquii, estão aproveitando para abocanhar mercados subatendidos e carentes no varejo tradicional.

Novos modelos surgem

As varejistas eletrônicas infantis Kidbox e Mac & Mia oferecem assinaturas. São voltadas para famílias com pouco tempo para comprar roupas, com o apelo adicional da curadoria de estilo. Tem dado tão certo que o conceito está sendo adotado também por varejistas como a Gap, tradicionalmente ancorada em lojas físicas.

Um dos grandes desafios é trabalhar com tabelas e referências confiáveis para que o consumidor consiga escolher a numeração sem surpresas. O mercado de vestuário online certamente continuará a crescer à medida em que mais pessoas se sintam confortáveis comprando roupas, sapatos e acessórios na web.

Nesse sentido, as operações baseadas em lojas físicas, como Macy’s, The Children’sPlace e Gap, estão investindo em tecnologia omnichannel e ferramentas conectadas. No caminho inverso, a já citada Amaro criou uma conceptstore: a Guide Shop. Pode ajudar a criar uma referência positiva com o consumidor, que quer conhecer acabamentos e provar a peça antes de comprar online.

Cada vez mais os consumidores consideram o comércio eletrônico apenas mais uma forma de comprar coisas. Eles esperam que smartphones, computadores e lojas funcionem entre si sem atrito. Com novas tecnologias e integração do omnichannel, o passeio no shopping de sábado à tarde pode converter vendas em plena quarta à noite.

Dessa mesma forma, quem foge de lojas pode não precisar pisar em uma nunca mais — com a ajuda de novas tecnologias de smart fitting, como a Virtusize. A ferramenta ajuda a comparar peças do seu próprio guarda-roupa que te vestem bem com o que você está vendo na tela e imaginando como ficaria em você.

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