Comércio eletrônico: O que está em jogo no varejo brasileiro

por Marcos Gouvêa de Souza Segunda-feira, 25 de novembro de 2019   Tempo de leitura: 6 minutos

As várias palestras, encontros e apresentações durante as visitas que fizemos à China, a quarta nos últimos doze meses e nossa participação no Chinashop, o maior evento de varejo da Ásia, com 65 mil participantes e uma feira com 130 mil m2, nos deram a certeza que o varejo do Brasil tem um momento único à frente envolvendo sua transformação estrutural.

As visitas à China, onde o Novo Varejo foi criado, e mais aquelas que envolvem todos os eventos nacionais e internacionais que temos tido oportunidade de participar sobre o varejo, sempre acompanhado de empresários, dirigentes e executivos das mais importantes empresas do segmento no Brasil, visitando, reunindo, discutindo, aprendendo e debatendo as inovações do setor no mundo, reforçam a ideia de que temos o privilégio de viver o momento da verdade futura no varejo brasileiro.

Transformação do varejo

Aquele momento que se redefine lideranças e protagonismo de longo prazo.

Em todo esse conjunto de aprendizados o elemento que mais tem sido, com razão, enfatizado, é a transformação estrutural do varejo pelo binômio tecnologia-digital, em especial na China.

Nesse país, os Ecossistemas de Negócios, Alibaba, JD, Didi, Tencent e muitos grupos mais, geraram uma nova realidade colocando de fato o omniconsumidor no epicentro de tudo pelo uso dos mais diversos instrumentos em tecnologia como reconhecimento facial, realidade virtual, inteligência artificial e muitos mais, para conhecer, monitorar, antecipar e ativar comportamentos.

Isso permitiu criar uma vantagem competitiva única, alternando toda a estrutura de negócios e colocando esses grupos na liderança da transformação do mercado.

Mas nos Estados Unidos e em boa parte do mundo ocidental, são as Plataformas Exponenciais, como Amazon, Facebook, Google e outras mais que subverteram a lógica tradicional dos negócios no setor, criando novas lideranças e desconstruindo a realidade anterior.

Na Coreia, de forma diversa, são alguns poucos varejistas tradicionais, como Shinsegae, Lotte e outros mais que se posicionaram para transformar e liderar a mudança, antes que fossem atropelados pela nova realidade precipitada pelo binômio tecnologia e digital.

O jogo do varejo

No Brasil esse processo está ainda em absoluta ebulição.

Os varejistas locais e globais operando no Brasil, os representantes das plataformas exponenciais e ecossistemas de negócios, o sistema financeiro local, as fintechs, os diversos sistemas de pagamentos e relacionamento e mais os novos entrantes, como as empresas de delivery, só para falar de alguns, disputam o protagonismo inerente ao domínio da informação e capacidade de monitorar, antecipar e ativar relacionamentos para liderar a inevitável e irreversível transformação estrutural do mercado brasileiro.

É o acesso e uso estruturado dos dados que definirão o protagonismo futuro e quem vai ser líder e quem vai ser seguidor. Com os ônus e bônus dessa realidade.

Esse é o jogo que está sendo jogado e que vai mudar o mercado para sempre.

Em diferentes níveis, condições, estruturas, recursos e estratégias, está estão sendo definida, neste momento, a realidade futura do mercado brasileiro.

  • Será que a liderança estará nas mãos de alguns poucos varejistas (Magalu, B2W, Carrefour, Pão de Açúcar) e outros que darão um salto e se transformarão também em plataformas de negócios para muitos mais, como na Coreia?
  • Será que as plataformas exponenciais, como Amazon, Google ou Facebook, serão responsáveis por criar essa realidade?
  • Pode ser também que o sistema financeiro tradicional ou as fintechs, combinados ou isoladamente, liderem essa nova realidade?
  • Talvez as empresas de delivery, como Rappi, ou as de transporte compartilhado, como Uber ou 99-Didi, tornem-se plataformas de pagamentos que ampliarão sua atuação e avançarão para outras frentes?
  • Pode ser também que os meios de pagamentos e relacionamento, como Mercado Livre e muitos mais avancem e ocupem novos espaços?

Tudo isso sem falar nos que podem ainda tentar entrar nesse jogo, decisivo, integrando e agindo em coalizão, especialmente nos setores de alimentação e transporte, de receitas e relacionamento recorrentes e constante, e que consigam captar recursos e colocar de pé um projeto alternativo blockbuster.

É tudo isso que está em ebulição neste momento e talvez a melhor e mais cautelosa visão seja considerar que, como quase tudo que acontece no Brasil, teremos uma combinação de elementos e alternativas, talvez inusitada globalmente, para assumir esse protagonismo futuro. Mais uma jabuticaba.

O jogo está sendo jogado.


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