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Blockchain na indústria da moda pelo Instituto C&A

por Amanda Lima Terça-feira, 27 de março de 2018   Tempo de leitura: 5 minutos

Tentando manter a perspectiva prática como articulista do E-Commerce Brasil, resolvi trazer o tema de Blockchain na seara corporativa. Difícil, contudo, não citar os mesmos exemplos, como o da Walmart, que usa a tecnologia Blockchain para registro da produção de determinados produtos, desde a colheita até a chegada nas prateleiras do supermercado. Neste caso, o consumidor pode, através do celular, fazer uma leitura QR code e verificar toda a trajetória do alimento.

Resolvi dissertar sobre Blockchain, então, no contexto de um edital no qual o prazo para apresentação dos projetos encerrou-se no dia 11 do mês de março de 2018: o edital do Instituto C&A. Ele trouxe como título “Transparência na indústria da moda no Brasil”, onde os projetos enviados em seu âmbito deveriam abordar a estratégia de aumento da transparência e da rastreabilidade da cadeia com a disseminação ou publicação de dados e informações, com foco no Brasil.

O contexto da indústria da moda, relatado pelo Instituto C&A, é um sistema complexo de unidades de produção, de oficinas de costura subcontratadas e de redes de fornecedores, que emergiram na indústria têxtil e da moda em vários países, inclusive no Brasil. A multiplicidade e fragmentação das fases de produção resulta na falta de transparência ao longo de toda a cadeia de valor da referida indústria, desde a plantação do algodão até o varejo, dificultando o monitoramento e rastreamento da cadeia de valor.

Mas, por que usar Blockchain em projetos do referido edital? Para contextualizar, em 2008, Satoshi Nakamoto lançou artigo acadêmico falando de uma moeda totalmente virtual, o bitcoin, que usa teoria de jogos e, só 3 meses após, já em 2009, o software foi lançado. Posteriormente, o mercado percebeu que essas transações poderiam se tornar inteligentes, tornando-se mais que uma moeda.

Os três princípios que considero mais importantes e agregam valor para os modelos de negócios que utilizam a tecnologia Blockchain, são:

  • Distribuição;
  • Imutabilidade;
  • Transparência.

Surge então em 2014 a Blockchain do Ethereum, trazida por Vitalik Buterin em um paper, onde escreveu mostrando que se poderia rodar aplicações complexas, os contratos inteligentes. Seu grande diferencial é o Ethereum Virtual Machine (EVM), que possibilita a execução dos famosos smart contracts na Blockchain. A partir, daqui, portanto, não é mais o dinheiro que é descentralizado, mas sim, qualquer aplicação que eu consiga compactar e criptografar.

Os smart contracts, termo proposto pelo cientista da computação Nick Szabo, em 1993, facilitam, verificam ou reforçam a negociação ou desempenho de um contrato, capaz de ser executado ou de se fazer cumprir por si só.

Contudo, a diferença em se criar programas em Blockchain no lugar de um servidor normal, é que pela sua característica da imutabilidade, uma vez registrada a transação, a informação jamais será alterada. Além disso, ela é auditável em qualquer lugar, pública, transparente e de leitura livre.

Numa visão de negócios, portanto, a tecnologia Blockchain vem sendo estudada para resolver problemas como a falta de transparência na indústria da moda, citada no edital. Assim, é possível criar regras capazes de interpretar determinados dados fornecidos pelo ambiente externo, que envolvam além de uma simples transferência de moeda virtual entre duas ou mais pessoas. Nesse caso, a implementação da aplicação não deve requerer envolvimento humano direto a partir do momento em que o contrato é firmado.

Assim, por exemplo, Blockchain pode conectar e disponibilizar todas as informações de cada fornecedor dessa cadeia da indústria. Isso torna a indústria transparente e, consequentemente, as grandes marcas responsáveis pelas empresas e pessoas que contratam e subcontratam — pelos danos ambientais e pela violação de direitos humanos que eventualmente estejam causando.

Não à toa o Instituto C&A abriu esse edital no Brasil. Uma venezuelana, chamada Neliana, já desenvolveu o primeiro piloto de transparência da cadeia de suprimentos da moda no mundo, em parceria com a Provenance (empresa de desenvolvimento de software) e a estilista Martine Jarlgaard. Essa iniciativa foi apoiada pelo Instituto C&A globalmente por meio do programa Fashion for Good-Plug and Play Accelerator.

O projeto rastreou e acompanhou a jornada de uma matéria-prima específica, a lã de alpaca. Eles observaram toda a sua cadeia de produção, desde a criação dos animais nas fazendas, do ato de cortar a lã bem rente ao corpo do animal, o transporte, o manuseio e a fiação, até chegar à loja de moda de luxo da estilista Martine Jarlgaard. Foram as primeiras peças de roupa do mundo rastreadas com a tecnologia Blockchain, com todas as informações disponíveis no QR code em suas etiquetas.

No Brasil há um grupo de aprendizado e geração de negócios através de produtos, projetos e soluções inovadoras, cujo um dos produtos é a Redesfibra. Uma de suas soluções é utilizar a tecnologia blockchain para resolver o problema de resíduos na indústria têxtil, coletando e destinando-os corretamente para empresas de desfibragem. Nesse sentido, pelo blockchain o descarte correto poderia ser certificado e a empresa emitiria um selo de garantia de descarte para as empresas. No fluxograma, abaixo, pode-se verificar como ocorreria todo esse processo:

Percebe-se, portanto, o que podemos chamar de descentralização da confiança. Com a adoção desse tipo de abordagem alternativa e inovadora para a cadeia de suprimentos de um produto, a consequência inevitável é a maior transparência. Uma mudança de mentalidade para a sustentabilidade corporativa de boas práticas, onde o controle não se faz mais necessário — é feito sem intervenção, a todo o momento.

Assim, neste ponto de aprimoramento, o controle e práticas de compliance já são autoexecutáveis, sendo desnecessário um planejamento, pois sua operabilidade segue junto com as características de transparência e auditabilidade da tecnologia Blockchain.

Abaixo, vídeo em memória de Oswaldo Oliveira, criador da Organização Prospera e de um modelo organizacional para trabalhar com o paradigma da abundância. Trata-se de sua participação em um dos painéis do Sustainable Brands, promovido pelo Instituto C&A, em São Paulo, em setembro de 2017.

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