Black Friday também é da indústria

por Maurício Trezub Terça-feira, 20 de novembro de 2018   Tempo de leitura: 2 minutos

Sabe aqueles desejos materiais que temos durante o ano todo? A chance de realizá-los chega em novembro, junto com a Black Friday. Lojas de todos os tipos – eletrônicos, móveis, vestuário, agências de viagens – colocam seus produtos com preços tão atraentes, que já virou tradição, aqui no Brasil, consumidores anteciparem as compras de Natal.

Mas isso todo mundo sabe. O que eu quero aqui é falar sobre as oportunidades que essa data traz para a indústria. Geralmente, quando converso com representantes do setor sobre Black Friday, o que mais ouço é que esse é apenas mais um dia comemorativo que precisa de um planejamento de fabricação de estoque para os varejistas.

A constatação apontada não está totalmente errada, porém é preciso mostrar que a ideia do fabricante ir direto ao consumidor não é tão fora da curva como se pensa. Esse movimento da indústria, aliás, ganhou força recentemente, mas começou discretamente há anos. Disney, Apple e Nike são alguns nomes que investiram pesado na venda direta, sem intermediários, por meio de lojas próprias, por exemplo.

O que acelerou esse movimento nos últimos anos foi a criação de marketplaces, redes sociais e e-commerce. Juntas, essas ferramentas deram a possibilidade para a indústria pular etapas da cadeia de supply, sem grandes investimentos.

E se há uma oportunidade ideal para fazer esse tipo de investida, essa é a Black Friday. Diferente do Dia dos Namorados, Dia das Mães e Páscoa, a última sexta-feira de novembro engloba todos os tipos de setores e públicos. Como eu disse no começo, os consumidores estão atrás de oportunidades para comprar o que procuraram nos outros 364 dias do ano.

Certa vez, uma fábrica de eletrônicos nos procurou para prepararmos seu e-commerce especificamente para essa data. A expectativa era dar vasão para notebooks parados em estoque. O resultado foi a venda de 100% das unidades. Após essa experiência, a marca mudou seu olhar para a Black Friday e começou a enxergar como mais uma boa oportunidade de vendas.

Ainda que temos indústrias mudando sua opinião sobre essa data, ainda não é a maioria. A relutância se dá, entre outros pontos, pelo mindset engessado. De um lado você tem o pessoal de tecnologia que alerta para a importância de se digitalizar, ir direto para o consumidor. Do outro, você tem o comercial que se preocupa com sua rede de representantes, distribuidores.

A angústia deles é compreensível, afinal, alguns desses fornecedores mantém uma relação há décadas. Porém, se a fábrica “A” não se preocupar com essas mudanças, com certeza a vizinha ficará à frente. Resumindo, esse é um caminho sem volta e só sobreviverá quem souber se adaptar.

Para aquelas que gostariam de arriscar, não podemos esquecer de apontar desafios que deverão encontrar pela frente, como falta de cultura de varejo, time pequeno de TI, necessidade de uma rede consolidada de atendimento ao cliente e uma logística inteligente de troca e devolução. Por outro lado, as vantagens são inúmeras: aumento de margem e faturamento, controle do preço de venda, maior engajamento com a marca, maior alcance de mercado, menor dependência do varejista, entre outros.

E a tecnologia se torna uma aliada para esse momento. Utilizando um modelo digital, essencial para a aproximação com o cliente em tempos de transformação digital, é o que vai manter 100% da sua margem bruta.

Uma dica é investir em plataformas digitais, criando um espaço de compras para os consumidores, além de poder controlar sua distribuição, comercialização, precificação e venda de seus produtos.

No final do dia, o que a indústria precisa fazer é deixar de ser a bala de canhão do varejo, que é quem direciona para que lado vai atirar e quais tendências irá criar. E faz isso porque, há muito tempo, é quem detém as informações dos consumidores, utilizando-as para ditar qual será o must have da próxima estação.

A indústria precisa se preparar para ser a dona desses dados tão valiosos, contratando especialistas em redes sociais e até mesmo de varejo, que vão ajudar no desenho da estratégia de posicionamento e venda.

É a hora e a vez da Indústria na Black Friday. Será um caminho com desafios, mas muitos resultados positivos que vão transformar a sua marca em protagonista.

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