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ABM é passageiro? Eficiência e números dizem o contrário

Por: Fernanda Nascimento

CEO da Stratlab

Planejadora de Marketing, fundadora e CEO da Stratlab, empreendedora, estrategista digital centrada no cliente e especialista em marketing e vendas B2B, que estuda e cria estratégias de marketing digital para empresas B2B. Com mais de 30 anos de mercado, atua na Stratlab, criando planejamentos integrados que priorizam a experiência do cliente, geram leads e convertem em vendas de alta qualidade. Possui Master’s Degree em Marketing pelo Chartered Institute of Marketing, tem especialização em Liderança e Estratégia pelo Insper e Columbia University. É professora convidada na Lemonade School, FGV e ESPM, ministrando cursos de Marketing Digital aplicado às áreas de Marketing, Vendas e Recursos Humanos. É influencer para o LinkedIn e Gartner. Em 2017 foi certificada como Social Selling Expert pelo LinkedIn e em 2023 foi convidada a integrar o LinkedIn Sales [In]sider, grupo global de especialistas em vendas, sendo a única integrante latino-americana.

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Para quem olha para o Account-Based Marketing (ABM) desconfiando que pode ser apenas um hype, uma moda passageira que logo sumirá, o mercado responde com dados sólidos que apontam para outro lado.

Mão posicionando bloco de madeira com ícone de perfil-alvo ao redor do acrônimo ABM formado por cubos sobre mesa.
Imagem gerada por IA.

Adoção do ABM já é maioria entre as empresas B2B

Uma pesquisa da Demand Gen mostra que quase 80% das empresas B2B já estruturam operações baseadas em contas específicas. O que reforça que abandonar o disparo de mensagens em massa para mirar contas de alto valor virou o caminho mais lógico para manter as vendas rentáveis no portfólio.

Metade das organizações já opera o modelo há um ano ou menos, e outras tantas ultrapassam dois anos de maturidade na abordagem. Isso revela um movimento constante de transformação na maneira como as companhias pensam na aquisição de clientes e na gestão de contas no dia a dia.

O alinhamento entre marketing e vendas é o maior desafio

Essa mudança, claro, não é automática nem simples. Colocar uma nova engrenagem para funcionar mexe com a rotina e esbarra em obstáculos concretos que cobram atenção redobrada dos gestores. Ao olhar para dentro da operação, os números da Demand Gen indicam que 63% dos líderes identificam o alinhamento interno de marketing com vendas como o principal desafio.

Tratar cada cliente corporativo como uma oportunidade singular é derrubar os muros entre os departamentos antes de fazer qualquer contato externo. Isso requer sincronizar metas, discursos e informações para evitar ruídos na hora de conversar com quem, de fato, decide os rumos do contrato. Sem essa fina sintonia entre as equipes, qualquer esforço corre o risco de se perder pelo caminho e de comprometer o retorno esperado.

IA ajuda na personalização, mas não substitui a estratégia humana

No suporte tecnológico, a IA ganha espaço para ajudar na personalização das abordagens em grande escala. Só que a execução costuma tropeçar em barreiras conhecidas. Por exemplo, a dificuldade dos times em integrar novas tecnologias aos sistemas legados e a escassez de profissionais especializados para operar as ferramentas. A maturidade digital precisa caminhar sempre com a clareza do papel de cada colaborador envolvido. Assim, evita-se o erro comum de delegar para o software o que pertence por inteiro à estratégia humana, à criatividade e ao tino comercial.

Engajamento das contas supera métricas de topo de funil

Olhar para os resultados dessa abordagem também faz a gente deixar de lado as métricas superficiais de topo de funil que não mostram a realidade financeira do negócio. Para 63% dos gestores ouvidos pela Demand Gen, o engajamento das contas vira o principal indicador de sucesso, abrindo espaço para criar conteúdos desenhados sob medida para as dores de quem decide.

Os estudos de caso ganham força como formato indispensável, enquanto o conteúdo personalizado lidera a preferência por entregar o maior retorno sobre o investimento. Em outras palavras, trocar volume por profundidade faz toda a diferença no relacionamento que queremos construir.

Foco em contas certas evita esforço disperso

Focar em um grupo restrito de contas evita que o time comercial gaste energia atirando para todo lado. Cerca de 30% das empresas mantêm entre 101 e 500 clientes ativos por vez, enquanto as demais ajustam esse volume para cima ou para baixo conforme a complexidade da estratégia.

Para evitar trabalho duplicado, muitas combinam esse modelo direcionado com as táticas tradicionais de atração. Descobrir o que realmente traz resultado significa olhar para os dados com calma e alinhar a responsabilidade de cada etapa. Construir parcerias de valor pede constância e paciência, deixando de lado a pressa por retornos imediatos.

Governança e paciência sustentam resultados sólidos

Garantir governança em todo esse processo envolve uma conversa franca sobre expectativas de receita e prazos de maturação. Líderes B2B precisam reavaliar as fórmulas que nos trouxeram até aqui e entender que um contrato corporativo de grande porte exige tempo e ritmo diferente do das vendas rápidas. É assim que a pressão por resultados imediatos diminui para abrir espaço a construções comerciais mais sólidas.

ABM é um modelo de construção contínua. Por isso, a pressa não deve fazer parte do escopo da estratégia.