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A era dos serviços de streaming: uma análise das plataformas de música

por Meiriane Jacobsen Sexta-feira, 24 de maio de 2019   Tempo de leitura: 8 minutos

Depois de surgirem notícias recentes sobre lançamentos de serviços de streaming de vídeo e de jogos de gigantes como Google e Apple, a impressão que se tem é que a indústria de entretenimento via streaming nunca foi tão considerada como oportunidade de negócios como agora.

Ao mesmo tempo que todos estão querendo surfar nessa onda, o que é ótimo para o consumidor porque garante variedade e possibilidade de escolha, temos um crescimento da competitividade entre os players.

Para entender o poder dessa nova Indústria Cultural, a vontade é analisar tudo: conteúdo em vídeo — como Netflix, Amazon Prime, etc; os streamings de jogos — ainda no forno; e os streamings de música, como Spotify etc. No entanto, vamos começar por um pequeno grupo que já está bastante consolidado e que tem desde grandes players até uns pequenos imponentes: as plataformas de streaming de música.

Leia também: Como o livestreaming está transformando o e-commerce na China

Metodologia (Se você não gosta dessa parte, pule para o próximo item)

Utilizando dados da nossa plataforma SimilarWeb para o estudo, selecionamos uma pequena gama de empresas que tem tráfego no Brasil, são elas: spotify.com, deezer.com, music.youtube.com, tunein.com, napster.com, tidal.com, superplayer.fm, music.google.com.

  • Observação 1: A análise é baseada em consumo de música em formato áudio, mas foi necessário adicionar o serviço de música Premium do YouTube (music.youtube.com) em função dele servir para quase os mesmos propósitos que os demais, além do que o representante do Google para a categoria (music.google.com) ainda tem pouca relevância local (talvez porque ainda esteja muito conectado ao Google Play – mais usada como loja de aplicativos Android).
  • Observação 2: Não é possível considerar Apple Music/iTunes na análise em função da forma como os usuários consomem o conteúdo no desktop: não através de um site mas por um aplicativo para sistema operacional. Logo, ele se diferencia dos demais, o que distorceria a análise.

Panorama dos streamings de música

Analisando os principais players de streaming de música (que podem ser usados no navegador), vemos que o tráfego mensal somado corresponde a quase 29 milhões de visitas em fevereiro de 2019 no Brasil, e está distribuído da seguinte forma:

Uma descoberta importante é que, quando analisamos a evolução destes players no mercado brasileiro de 2017 para cá, vemos que vários estão perdendo relevância na comparação da audiência de março de 2019 a fevereiro de 2019 em comparação com os 12 meses anteriores. Aconteceu principalmente com tunein.com (menos 23,8%), superplayer.fm (menos 24,03%) e music.google.com (menos 23,77%).

Além desses, a plataforma Deezer, segunda colocada aqui no Brasil, também andou perdendo tráfego:

Enquanto a líder, Spotify, cresceu cerca de 19% em 12 meses.

O mais interessante é identificar quando esta variação negativa para Deezer começou a se intensificar: setembro de 2018.

Justamente quando o music.youtube.com foi lançado no Brasil:

Claro que não devemos atribuir essa variação negativa do Deezer apenas ao lançamento do YouTube Music. Na verdade foi um conjunto de fatores, mas podemos dizer que o YouTube Music impediu o Deezer de crescer no final do ano, e isso fez com que ele registrasse bem menos tráfego do que nos 12 meses anteriores.

Vemos aqui a comparação apenas dos dois players (deezer.com e music.youtube.com) nos últimos 12 meses: agora a briga está acirrada!

Mas não podemos esquecer que o líder ainda tem bastante vantagem:

Mas e a “onda” dos músicos famosos que resolveram criar seu próprio streaming?

Bom, para Jay-Z parece que deu certo. O tidal.com obteve um crescimento acentuado de visitas provenientes do Brasil nos últimos 12 meses:

Isso traz à tona uma reflexão importante: como os músicos e as gravadoras ganham dinheiro nesta nova era do Streaming? Será que não faz sentido para nós, profissionais do e-commerce, pensarmos e analisarmos melhor esse novo modelo de consumo digital e consideramos mais essas plataformas de streaming como:

1. ‘Marketplaces’ para venda de música nos mais variados modelos de negócio (seja assinatura mensal com acesso livre aos conteúdos, ou venda efetiva de produtos digitais – como no iTunes, onde você compra um álbum inteiro de um artista);

2. Canais onde é possível anunciar seu produto/serviço, seja ele relacionado a música ou não, mas relacionado a um público que consome música.

Começou a pensar com visão de negócios e ficou curioso para saber quanto cada plataforma de Streaming paga para os artistas? Encontrei dados recentes (de 2019) aqui.

Claro que, para os músicos, sempre será importante fazer um balanço entre trabalhar com uma plataforma que paga melhor ou uma plataforma que tem mais audiência.

Mas e quanto à estratégia de utilizar essas plataformas para mídia? Tendo uma boa noção das suas personas de marketing, pode ser interessante anunciar em plataformas de streaming, ‘comprando’ públicos a partir de dados que os usuários gratuitos dessas plataformas fornecem. Por exemplo: “quero mostrar essa peça de display para mulheres de 20 a 30 anos que residam em São Paulo-SP quando elas escolherem para escutar uma playlist estilo relax” ou “quero uma inserção da minha marca em um podcast” (mídia tendência do momento).

Leia também: Tolerar o risco e testar várias ideias são pilares para o sucesso, diz cofundador da Netflix

Para as plataformas de streaming que só mostram anúncios nas versões gratuitas, fica também o desafio de balancear os seus objetivos com o que gera mais retorno, uma vez que os planos mensais dos usuários premium garantem uma receita fixa e o repasse dos royalties para os artistas, mas as contas premium ‘roubam’ usuários que irão consumir obrigatoriamente as mídias, o que também pode ser uma ótima fonte de renda.

Fica aquela pulga atrás da orelha: “O que será que os meus concorrentes estão fazendo e o que pode estar gerando mais retorno para eles?”. No final das contas, todo mundo precisa de dados para responder essas perguntas que ficam no ar e, com isso, tomar as melhores decisões.

A era do streaming já chegou, e no Brasil, logo essas plataformas podem se tornar os “grandes palcos digitais”. Quem duvida?

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