5 atualizações do Google que podem interferir no seu site

por Lucas Maranho Segunda-feira, 14 de dezembro de 2020   Tempo de leitura: 12 minutos

Nada é para sempre no mundo virtual. Quando as regras parecem estar claras e bem estabelecidas, o tabuleiro do jogo é virado de cabeça para baixo e as peças são embaralhadas — tudo para criar regras ainda melhores, mais rápidas e mais acessíveis. O Google, nosso grande foco quando o assunto é SEO para e-commerces, funciona assim.

Em outra participação minha por aqui, havia comentado que um e-commerce maduro de verdade compreende o papel do SEO na espinha dorsal do negócio. Esse mesmo e-commerce também entende que as mudanças, tão comuns no mercado web, não são um problema. Pelo contrário: elas expandem nossa zona de conforto e são oportunidades ímpares de crescimento.

Onde você e seu e-commerce estão nessa escala de amadurecimento? Você conhece as mudanças no algoritmo do Google que mais “bagunçaram” o ranqueamento de sites como o seu? E a pergunta mais importante: você sabe navegar pelas mudanças e tirar o que elas têm de melhor a oferecer? Procure as respostas conosco!

Por que o algoritmo do Google muda?

Está na missão da empresa: organizar as informações do mundo para que sejam universalmente acessíveis e úteis para todos. Para atingir esse objetivo de maneira cada vez mais rápida e otimizada, o algoritmo de pesquisas do Google é exaustivamente revisado e modificado.

Essas mudanças ocorrem quase que diariamente. Isso mesmo: a maneira com que os resultados de pesquisa são gerados pelo buscador mais popular do mundo muda um pouquinho a cada dia. Nesse processo, são realizados testes fundamentais para compreender melhor o comportamento dos usuários e entregar os melhores resultados em cada busca.

De tempos em tempos, porém, a comunidade mundial de SEO e marketing digital é impactada pelos core updates, atualizações amplas no algoritmo central que repercutem de forma brusca na maneira com que os resultados são mostrados. Essas atualizações recebem nomes específicos e costumam forçar transformações na configuração dos sites.

Detestados por alguns e comemorados por outros, todos os core updates possuem um objetivo em comum: humanizar a experiência dos usuários, tornando a busca cada vez mais parecida com a forma natural com que pensamos, falamos e fazemos escolhas. É o Google aprendendo e se aperfeiçoando a partir de cada dado colhido.

5 atualizações que mudaram o jogo

Conhecer a história é o primeiro passo para uma boa tomada de decisões. Para contar um pouco da história do SEO, selecionei as 5 principais atualizações do Google que transformaram a maneira como se faz e-commerce. Entenda como cada uma delas melhorou o jogo!

Hummingbird (2013)

Essa atualização histórica alterou 90% dos resultados de busca, e sua principal inovação foi a humanização das pesquisas. A partir dela, o Google passou a entender relações mais finas entre palavras, o que permitia ao usuário mostrar sua intenção de busca de maneira mais clara.

Eu explico: antes de 2013, se desejássemos procurar por “molduras para espelho” muito provavelmente adaptaríamos nossa pesquisa para “moldura espelho”, numa tentativa de se fazer entender pelo mecanismo até então binário e bastante engessado dos buscadores.

Na versão Hummingbird, o Google não só era capaz de compreender a busca completa, mas dava os primeiros passos em direção à busca por voz, que se consolidaria anos depois.

Essa alteração penalizou sites sem conteúdo relevante, em especial aqueles que se apoiavam numa prática que hoje é conhecida por keyword stuffing — inundar as páginas com a palavra-chave para a qual se deseja posicionar, sem qualquer critério ou distinção.

RankBrain (2015)

Há quem diga que o RankBrain é uma continuação do Hummingbird. Outros discordam, e afirmam que o update de 2015 constitui um algoritmo novo, independente. De qualquer maneira, foi a partir dessa atualização que Google implementou procedimentos complexos de machine learning para entender de fato o que cada usuário deseja encontrar.

O RankBrain é complexo: a partir de informações como o campo semântico, histórico de busca, localização e dados de comportamento, o algoritmo consegue desfazer ambiguidades entre palavras-chave idênticas, oferecer resultados personalizados para cada usuário e modificar resultados pouco eficientes em uma segunda pesquisa.

Esse algoritmo ainda está ativado e segue “aprendendo” com as informações que cada usuário fornece todos os dias. Para os e-commerces, significa a necessidade constante de aperfeiçoamento, e sinaliza a importância de um bom UX.

BERT (2018)

Bidirectional Encoder Representations from Transformers, ou BERT, é o mais recente — e talvez mais importante — core update do Google. Baseado no processamento da linguagem natural, potencializou a capacidade do buscador de compreender a fala humana, tornando possíveis buscas muito mais complexas.

Se antes os resultados eram motivados apenas pelas palavras-chave contidas na query, agora passam a ser criados a partir da leitura bidirecional, considerando aspectos como ordem das palavras e correlação entre os termos.

Ao mesmo tempo, o Google se tornou capaz de discernir o teor e a qualidade dos mais diversos conteúdos, e pode distinguir entre materiais que informam de maneira genuína e artigos que veiculam ideias rasas ou pouco naturais. Como resultado, assistimos à derrocada de e-commerces que empregavam táticas forçadas de SEO.

EAT (2019)

Este não foi exatamente um core update, mas intensificou e confirmou alguns dos critérios de ranqueamento que a comunidade SEO já havia antecipado. EAT é a sigla para Et, Authoritativeness and Trustworthiness, e pode ser traduzido para Expertise, Autoridade e Confiabilidade — os três elementos que mudaram por completo uma série de páginas de resultado.

Depois de 2019, passou a ser mais relevante ressaltar a credencial de autores de blog, por exemplo. Mostrar conteúdo profundo, bem estruturado e baseado em fatos confirmados também ganhou peso especial, principalmente para os nichos financeiro e de saúde.

De maneira simplificada, o EAT consolidou os processos do Google para ranqueamento de conteúdos e e-commerces com base na segurança e confiabilidade das informações que eles têm a oferecer. Nesse novo panorama, angariar referências valiosas e mostrar que você entende do que está falando ou vendendo é primordial.

Google Page Experience (2021)

Agora, mudamos o tempo dos verbos para falar de uma atualização que ainda será implementada.

Anunciado em maio deste ano, o Google Page Experience causou impacto na comunidade de e-commerce mundial por acrescentar fatores como velocidade de carregamento, protocolo HTTPs e responsividade da página à família dos critérios de ranqueamento.

Quando colocado em prática, com certeza provocará mudanças bruscas na SERP. Por isso, adiantar-se e “arrumar a casa” é essencial. Tenho certeza de que quer saber mais sobre esse update, que realmente merece um artigo exclusivo.

Afinal, como se manter atualizado?

Quer dizer, então, que estar atualizado com as práticas de SEO é correr cegamente atrás das decisões imprevisíveis do Google? Devo transformar meu e-commerce todos os anos pensando apenas nas minhas posições da SERP?

Bem, essa é uma maneira de enxergar as coisas. Se me permitem deixar um conselho, diria que a forma mais inteligente e menos carrancuda de abordar as mudanças do buscador é ver as coisas como ele vê. Se fizermos como o Google e colocarmos o usuário em primeiro lugar, não só estaremos preparados para as mudanças inevitáveis no horizonte, mas aperfeiçoaremos o negócio como um todo.

Quando adotamos o mesmo ponto de vista que o Google adota, dá para notar que essas atualizações não são tão imprevisíveis assim. Elas moram, essencialmente, nos problemas que o usuário possa vir a encontrar no seu site – ou no site dos concorrentes, se quiser estar sempre um passo à frente dos seus pares.

Esse diagnóstico exige um olhar empático, que se coloca no lugar do cliente. Você já investigou se a experiência de compra dentro da sua página é intuitiva, clara e rápida? Já verificou se o cliente encontra as informações que precisa para tomar decisões? Tem certeza de que o seu layout é legível na tela pequena do celular? Tudo isso é levado em consideração pelo buscador e, com certeza, entrega valor ao seu cliente.

Para facilitar, elenco alguns dos principais aspectos que, se bem observados na rotina do seu e-commerce, te farão caminhar na mesma trilha que o Google. Fique atento:

Ofereça informações completas, legíveis e originais

Isso envolve um bom cadastro de produtos, categorias com conteúdo útil e páginas institucionais bem estruturadas. Esse aspecto também exige uma boa estratégia de criação de conteúdos informacionais. Na hora de estruturar um blog para sua marca, pense no que o público da sua loja realmente está interessado em ler, respeitando suas intenções de busca. Nada de embutir anúncios onde deveria existir informação!

Preze pela acessibilidade

Um site excludente não poderia estar mais distante do ideal buscado pelo Google. Adicionar texto alt nas imagens, por exemplo, permite que todos possam consumir os conteúdos da sua página, textuais e imagéticos. Da mesma maneira, garantir que seu site funciona bem em todos os tamanhos de tela inclui um número muito maior de pessoas – e esse é o grande objetivo.

Não sacrifique a performance

A velocidade do seu e-commerce é fundamental. Afinal, quando seu site é veloz e leve, poderá ser utilizado em um leque muito mais vasto de situações. No ônibus, indo ao trabalho? Na praça de alimentação do shopping? Uma boa performance assegura que os seus serviços serão acessíveis sempre, em qualquer lugar.

Informe-se!

Você não precisa prever tudo sozinho. Mantenha-se informado, consulte fontes primárias, confiáveis, e esteja por dentro das discussões sobre o Google. Nem todas as informações serão fáceis de assimilar, mas conhecer o básico te dará suporte para executar as ações mais imediatas.

Conseguiu enxergar a influência dessas atualizações históricas no seu negócio virtual? Espero ter te incentivado a abordar com mais entusiasmo as mudanças nesse cenário tão veloz e mutável — afinal, elas são ótimas oportunidades de crescimento.

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