Projeto mantido por:

Quem sobreviverá ao mercado de e-commerce?

By Pedro Padis Monday, 16 de December de 2019   Read time: 8 minutes

Em outubro de 2017, escrevi uma coluna para o portal do E-commerce Brasil questionando o fôlego do mercado digital no Brasil. Desde aquele momento, os indicadores já sinalizavam que o mercado não teria pulmão suficiente para suportar o número de empresas frente a um mercado tão competitivo.

Paralelamente a esse cenário, também vimos uma corrida para se adaptar ao tão demandado conceito de omnichannel. Ou seja, as empresas enfrentavam um mercado muito mais agressivo e precisavam de bastante espaço para entregar novas demandas que os clientes estavam exigindo.

Grandes e pequenas empresas apostaram que investir em inovação seria a grande virada para aquele momento. Pelo contrário, a hora era de planejamento, alinhamento de estratégia e revisão dos fluxos operacionais. Também já explorei em outras colunas que o desafio para o novo e-commerce seria a questão de cultura e revisão de processos.

Aculturamento digital

Um exemplo disso é o reflexo de ainda muitas empresas de varejo enxergarem o e-commerce como “subordinado” ao departamento de marketing. Na minha concepção, isso é brigar com a nova realidade, em que a velocidade e as exigências do e-commerce acabam direcionando os caminhos que devem ser trabalhados pela empresa.

Por exemplo, a Petz conseguiu reverter um cenário bastante desfavorável de sua loja online, entregando novas soluções para o consumidor, mas, principalmente, revendo toda sua cadeia de valor e informação do cliente criando um exemplo de operação integrada.

Em contraponto, mesmo empresas com uma participação ultrarrelevante do e-commerce no faturamento total, como a drogaria Onofre, ainda sofrem com a questão de aculturamento digital de suas lojas físicas, não conseguindo entregar esse valor para o cliente.

Diante desse novo cenário, podemos destacar empresas que acabaram sucumbindo a esse mercado. Fazendo um link com meu último artigo na edição passada desta revista, o Dia% (supermercado) suspendeu suas operações de e-commerce.

A explicação formal da empresa é que a companhia teria que sustentar a operação sem o suporte internacional e que não era viável naquele momento. Entretanto, revisariam o modelo comercial e relançariam o site.

Crescer não é o bastante no e-commerce

Uma rede de supermercados com mais de 1,2 mil lojas deveria ter uma posição ultraprivilegiada no last-mile do e-commerce, podendo criar um valor logístico gigantesco para sua operação, além de fortalecer sua parceria com sua rede de franqueados. Porém, em um projeto que parece que foi lançado às pressas, levou ao mercado uma loja em que faltavam categorias importantes de seu portfólio e um tempo de entrega superior ao de seus concorrentes.

Outro exemplo de que apenas crescer não basta é o da gigante dos calçados, a Netshoes. Apostando em seu crescimento e criação de valor para o acionista, ela teve dificuldade no momento de virar a chave e trabalhar com menos investimento, manter o ritmo de crescimento reduzindo os recursos de marketing.

Além disso, teve dificuldade de conciliar sua operação de varejo e a de marketplace, disputando o mesmo espaço, iniciando uma corrida descoordenada para tentar virar as operações de varejo para marketplace e, assim, melhorar o caixa da empresa. Estratégia que obviamente não vingou, e a empresa está em processo de venda por menos da metade do que pagariam por ela há um ano.

Soluções de logísticas

Situação semelhante vemos com outras marcas, como Walmart, que também encerrou suas operações digitais no Brasil, e a Wine.com, outra gigante do mercado, conduzida por ninguém menos que Abílio Diniz, que está em busca de uma fusão para ganhar fôlego.

Em paralelo, estamos vendo empresas de serviço ganharem destaque em soluções para e-commerce e logística, como iFood, Loggi e Rappi. Ou em segmentos ainda pouco explorados, como o de comidas congeladas. Hoje, uma das grandes desse mercado, e com contínuo aumento de valor, é a Liv Up.

Em menos de quatro anos, ela conseguiu chegar a um capital social de mais de R$ 26 milhões e um faturamento de R$ 11 milhões em 2018, após ter conseguido diversos aportes de fundos para acelerar seu crescimento.

Mudanças no mercado de e-commerce

O mercado mudou. Está cada vez fica mais fácil criar seu próprio marketplace — vide os shoppings físicos lançando soluções de lojas digitais e serviços agregados. Cada vez está mais fácil para a indústria tirar seus intermediários e vender direto para os consumidores.

Por outro lado, tem se tornado mais difícil se diferenciar, trazer soluções inovadoras e úteis aos usuários (aqui cabe um questionamento à solução de reconhecimento facial de pets da Petz).

Uma das principais lições corporativas que aprendi (créditos aqui para Flávio Jansen) é que o que realmente quebra uma empresa não são suas margens de lucro, e sim um fluxo de caixa negativo.

Se os grandes passam por sérias dificuldades, imaginem os pequenos. De um lado da balança, ficar vivo está cada vez mais caro, diferenciar-se está cada vez mais difícil. Do outro lado, conhecer seu cliente está cada vez mais fácil, e soluções e serviços estão cada vez mais acessíveis. Somente quem equilibrar essa equação seguirá no jogo.

Façam suas apostas!

Gostou desse artigo? Não esqueça de avaliá-lo!
Quer fazer parte do time de articulistas do portal, tem alguma sugestão ou crítica? Envie um e-mail para redacao@ecommercebrasil.com.br

Você recomendaria esse artigo para um amigo?

Nunca

 

Com certeza

Leave your comment

0 comments

Comments

Your email address will not be published.

Commenting as Anonymous

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

CADASTRE-SE EM NOSSA NEWSLETTER